SP registra nascimento de sagui-da-serra-escuro

Filhote de sagui-da-serra-escuro nasce em centro de conservação e amplia população protegida, reforçando ações ambientais em SP

Crédito: Reprodução Semil

O governo do Estado de São Paulo registrou, na madrugada desta segunda-feira (27), o nascimento de um filhote de sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) no Centro de Conservação da Fauna Silvestre (Cecfau), unidade vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), localizada em Araçoiaba da Serra. Com a chegada do novo indivíduo, sobe para 14 o número de animais da espécie mantidos sob cuidados do departamento.

Espécie ameaçada mobiliza programas de conservação

sagui-da-serra-escuro
Reprodução Semil

Criticamente ameaçado de extinção, o sagui-da-serra-escuro é alvo de programas integrados que envolvem manejo reprodutivo, pesquisas científicas e a formação de uma população de segurança fora do habitat natural. A espécie ocorre nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com estimativas que variam entre 10 mil e 11 mil indivíduos na natureza e cerca de 80 sob cuidados humanos.

A fêmea Bia, mãe do filhote, nasceu no Zoológico de Guarulhos e foi transferida para o Cecfau em 2021. Desde então, ao lado do macho Xereta, resgatado ainda filhote na natureza, já teve nove crias. Parte desses animais foi encaminhada a outras instituições, contribuindo para a diversidade genética da população mantida em cativeiro. Ao todo, o Cecfau contabiliza 25 nascimentos da espécie, com seis indivíduos destinados a programas parceiros.

Novos nascimentos fortalecem resultados do Cecfau

Outro casal do plantel, formado por Athena e Eros, também integra o esforço de conservação e aguarda o nascimento de novos filhotes nos próximos dias.

O nascimento do sagui-da-serra-escuro se soma a uma sequência recente de resultados expressivos do Cecfau. Em março, a unidade celebrou a chegada de um filhote de mico-leão-preto, espécie símbolo da biodiversidade paulista. No mesmo período, o centro ultrapassou a marca de 500 nascimentos da perereca-pintada-do-rio-pomba, anfíbio criticamente ameaçado cuja população sob cuidados humanos já supera a estimada na natureza.

Ciência e políticas públicas impulsionam preservação

Para a diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque Ramos, os resultados evidenciam a eficácia das políticas públicas voltadas à fauna silvestre. Segundo ela, cada novo nascimento representa um avanço dentro de uma estratégia que integra ciência, gestão e cooperação institucional.

A médica veterinária Mayara Caiaffa destaca que os primeiros dias de vida exigem monitoramento contínuo da equipe técnica. O objetivo é garantir o desenvolvimento saudável do filhote e observar o comportamento dos pais, fator determinante para o sucesso reprodutivo em espécies ameaçadas.

Centro é referência nacional em conservação

Além do trabalho com primatas, o Cecfau desenvolve ações com outras espécies ameaçadas, como o tamanduá-bandeira e a arara-azul-de-lear, ave endêmica do sertão baiano. Desde 2019, o centro registra nascimentos da arara e contribui com programas nacionais, incluindo o envio de indivíduos para soltura.

A unidade também realiza pesquisas sobre comportamento, manejo e biologia reprodutiva em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), por meio do Programa de Pós-Graduação em Conservação da Fauna (PPGCFAu). O conhecimento gerado subsidia o aprimoramento das estratégias de conservação e a gestão dos plantéis.

Instalado em Araçoiaba da Serra, o Cecfau se consolidou como referência nacional na preservação de espécies ameaçadas, atuando de forma articulada com instituições parceiras e programas coordenados pelo ICMBio.

  • Publicado: 30/04/2026 10:35
  • Alterado: 30/04/2026 10:35
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Semil