SOS Parques alega alta de áreas isoladas no Villa-Lobos

SOS Parques alega que 17% do complexo Villa-Lobos ficou isolado por tapumes de eventos e cobra regras para limitar o fechamento do espaço

Crédito: divulgação

Tapumes, cercas e grades chegaram a restringir 14,4 hectares dos parques Villa-Lobos e Cândido Portinari, o equivalente a 17% de todo o complexo, segundo levantamento do movimento SOS Parques. A entidade afirma que o uso dos espaços para eventos privados mantém áreas de convivência, esporte e lazer fechadas por períodos que vão além da realização das atrações, devido às etapas de montagem e desmontagem das estruturas.

Em um mapeamento realizado em 2 de agosto de 2026, a SOS Parques identificou 16 áreas delimitadas por cercas, grades ou tapumes nos dois parques. Segundo a entidade, as restrições atingiam não apenas espaços destinados a grandes apresentações e ativações comerciais, mas também quadras esportivas, áreas para cães e locais de piquenique.

O movimento cita como exemplo um torneio de tênis realizado em 20 de setembro. De acordo com o levantamento, o evento manteve 4,7 hectares fechados ao público durante nove dias, área equivalente a cerca de sete campos de futebol.

SOS Parques
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O bloqueio incluiu uma área de mata cercada por aproximadamente 1.200 metros de tapumes, a interrupção de sete caminhos para pedestres e o estreitamento da passagem de bicicletas para um corredor de apenas um metro de largura.

Para a SOS Parques, os impactos no uso público não se limitam aos dias dos eventos. A entidade afirma que o período de ocupação também inclui a montagem, a desmontagem e a recuperação da vegetação. Dados apresentados pelo movimento indicam que, em 2026, essas etapas representam cerca de 47% de todo o período de ocupação do parque por eventos.

Como exemplo, a entidade cita o festival gastronômico Taste SP, realizado em 2023. Segundo a SOS Parques, foram necessários 65 dias de ocupação de uma área de 51,6 mil metros quadrados para a realização de nove dias de evento aberto ao público.

Impermeabilização do solo e ruído

A SOS Parques também aponta possíveis impactos ambientais relacionados à ocupação do complexo. Segundo a entidade, a comparação de imagens de satélite feitas entre 2022 e 2026 indica um aumento de 2,21 hectares de área impermeável nos parques.

De acordo com o movimento, a mudança significa que quase um em cada quatro metros quadrados do complexo teria perdido a capacidade de absorver água da chuva.

A entidade também registrou medições de ruído durante atrações que chegaram a 57,1 decibéis no período diurno e 49,4 decibéis às 22h. Segundo a SOS Parques, os valores ultrapassaram os limites legais de 50 e 40 decibéis, respectivamente.

Parque Villa-Lobos
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O engenheiro civil, doutor em Saúde Ambiental e integrante da SOS Parques, Ivan Maglio, critica o modelo de ocupação comercial do espaço.

“O risco não é o parque ter comércio. É o comércio passar a definir o parque. Os gramados não são terrenos vazios esperando uma oportunidade econômica. O silêncio não representa falta de programação. Nenhuma gestão pode ser privada, entretanto a finalidade do parque deve continuar sendo pública”, sustentou Maglio.

Regras para os eventos

O complexo está localizado em uma Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM) e também está submetido a um acordo judicial firmado em 2006. Segundo a SOS Parques, o acordo estabelece um limite de público para eventos de 10 mil pessoas acima da média diária de frequentadores.

A entidade afirma, porém, que os documentos operacionais da concessão iniciada em 2022 não estabelecem um limite para o número anual de eventos, para a área que pode ser cercada simultaneamente ou para o tempo máximo de permanência dos tapumes.

SOS Parques
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O movimento afirma que não defende a proibição de atividades esportivas e culturais nem a anulação do contrato de concessão. A SOS Parques pede, no entanto, a adoção de critérios mais claros para a utilização dos espaços.

Entre as propostas apresentadas estão a publicação do Estatuto de Uso previsto desde 2006, a definição de limites de área e tempo para as montagens e a divulgação antecipada do calendário anual de eventos do parque.

Para a entidade, a definição dessas regras permitiria conciliar a realização de eventos com o acesso da população aos espaços públicos.

  • Publicado: 20/10/2026 10:08
  • Alterado: 20/10/2026 10:08
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria