Shoppings do ABC projetam alta nas vendas de Dia das Mães
Comércio regional espera movimentar R$ 183 milhões no período, impulsionado pelo consumo presencial e pela busca por parcelamento
- Publicado: 06/05/2026 16:47
- Alterado: 06/05/2026 16:47
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABCdoABC
O varejo metropolitano terá uma grande movimentação neste Dia das Mães de 2026. Os shoppings do ABC preparam campanhas intensas para capturar parte dos R$ 183 milhões que o comércio do Grande ABC espera faturar no período. A estimativa engloba todo o setor varejista local, impulsionado pela preferência presencial e pela melhora nos indicadores de renda. Apenas em Santo André, a injeção econômica alcançará R$ 51 milhões.
Os números são de um levantamento da Strong Business School em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Santo André (ACISA). A pesquisa ouviu 753 consumidores nas sete cidades da região entre 6 e 26 de abril. O gasto médio geral no comércio para a data baterá R$ 387, marcando um crescimento real de 8,2% frente ao ano anterior. O valor médio por presente fixou-se em R$ 270.
O perfil do comprador regional sofreu alterações pragmáticas. “O consumidor do Grande ABC está mais racional. Ele continua valorizando a data, mas passou a ponderar preço, qualidade e condições de pagamento antes de decidir a compra”, explicou Sandro Maskio, professor responsável pelo estudo econômico.
Projeções de vendas nos shoppings do ABC

Os grandes centros comerciais operam com expectativas otimistas de crescimento para a primeira quinzena de maio. O Golden Square Shopping projeta uma alta de 12% nas vendas durante o período promocional. O índice supera com folga o crescimento de 8% registrado na mesma época do ano passado.
A administração do Shopping ABC aguarda uma alta de 5% nas transações e indica que perfumaria, cosméticos, calçados, vestuário, joalheria e acessórios dominam a preferência. O Mauá Plaza Shopping acompanha o cenário favorável, com estimativa de elevação de 6,9% no faturamento e aumento de 5,35% no fluxo de visitantes.
Um levantamento da SYN reforça o alcance do ambiente físico. A pesquisa com 5.520 consumidores em abril de 2026 revela que 65% dos clientes preferem o varejo presencial. Os dados indicam que 35% dos entrevistados planejam gastar mais que no ano passado. O ticket médio esperado oscilará entre R$ 100 e R$ 300 para 52% das pessoas.
“O Dia das Mães é uma data que fala de cuidado, conexão e histórias reais. Por isso, desenvolvemos uma campanha que vai além da compra, com um presente voltado ao autocuidado, acompanhando a tendência de transformar o estabelecimento em um cenário de experiências”, detalhou Bruna Magagna, coordenadora de marketing do Grand Plaza Shopping.
E-commerce e o avanço do parcelamento

As lojas de rua e galerias dividem espaço com o avanço do comércio eletrônico no país. A Associação Brasileira de IA e Comércio Eletrônico (ABIACOM) estima que as plataformas digitais movimentarão R$ 11,06 bilhões em 2026. O volume representa 18,49 milhões de pedidos, com tíquete médio nacional estabilizado em R$ 598,23.
O comportamento financeiro exige adaptações estruturais dos lojistas regionais. O cartão de crédito parcelado ganhou terreno frente aos pagamentos à vista no mercado do Grande ABC. O PIX consolidou sua posição entre os métodos favoritos para liquidação instantânea. A busca por parcelamento reflete o esforço das famílias para equilibrar o orçamento.
A união entre dados e estratégia define o sucesso das operações logísticas. “A pesquisa de intenção de compras traz dados preciosos sobre o comportamento do consumidor, permitindo que os comerciantes se antecipem às demandas e ajustem suas estratégias de forma mais assertiva”, analisou Evenson Robles Dotto, presidente da ACISA.
Planejamento financeiro afeta shoppings e varejo

O almoço dominical adicionará um peso extra às finanças domésticas. A maior parcela do público, representando 57% dos entrevistados, fará as refeições em casa. O gasto médio projetado para a celebração gastronômica atingirá R$ 375, marcando um aumento de 5% frente a 2025. Restaurantes receberão cerca de 18% das famílias.
A organização do orçamento tornou-se o principal critério para a escolha das homenagens. Um estudo da PiniOn com 1.000 pessoas revela que 75% dos brasileiros pretendem presentear neste ano. As promoções determinam a decisão final para 42% desse contingente, evidenciando uma busca pelo melhor custo-benefício.
A transição comercial exige cautela redobrada dos filhos. “O que antes era marcado por uma corrida às compras passa a ser um exercício de planejamento para celebrar o Dia das Mães sem comprometer o orçamento”, orientou Thaisa Durso, educadora financeira da corretora Rico.
Experiências substituem bens materiais
O mercado identifica uma migração nítida do consumo de produtos para a aquisição de vivências conjuntas. Os passeios familiares avançaram de 10% para 16% na preferência nacional. A pesquisa revela um descompasso claro: 22% das mães gostariam de ganhar uma viagem, enquanto apenas 2% dos filhos planejam oferecer esse roteiro.
Soluções tecnológicas como cashback garantem retorno parcial do capital. Produtos financeiros despontam rapidamente como alternativas inteligentes. Um aporte inicial de R$ 300, complementado por injeções mensais de recursos, atinge a marca de R$ 2.942,62 em dois anos, considerando a taxa Selic de 14,50% ao ano.
Estratégias táticas para o consumidor
Especialistas recomendam passos práticos para evitar o descontrole com cartões de crédito na data festiva:
- Priorizar a utilidade real e o desejo manifesto pela homenageada.
- Antecipar as buscas para fugir de preços inflacionados de última hora.
- Usar aplicativos de fidelidade a favor da economia doméstica.
- Ter consciência total sobre juros embutidos na forma de pagamento.
- Apostar em experiências compartilhadas e memórias afetivas.
- Considerar aportes financeiros que impulsionem sonhos futuros.
O cenário macroeconômico de 2026 desenha um consumidor exigente, blindado contra o marketing de impulso. O varejo físico precisa adaptar imediatamente suas campanhas para converter o alto fluxo de visitantes nos shoppings em resultados financeiros sustentáveis. A emoção da data permanece intacta, mas a execução da compra exige racionalidade cirúrgica na ponta do lápis.