Sem provas, Trump questiona eleição no Brasil e cita fraude
O presidente americano Donald Trump declarou simpatia por Lula, mas alegou suspeitas sem provas sobre a apuração das eleições no Brasil
- Publicado: 26/10/2026 17:29
- Alterado: 26/10/2026 17:46
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que mantém uma relação pessoal cordial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas contestou publicamente a lisura da apuração do segundo turno das eleições gerais brasileiras. Em conversa com correspondentes internacionais em Washington, o republicano insinuou a existência de supostas irregularidades nas urnas, sem apresentar documentos probatórios ou laudos técnicos que respaldem as acusações.
Ao comentar os desdobramentos da votação realizada no último domingo (25), o líder norte-americano mesclou elogios individuais ao mandatário brasileiro com críticas abertas ao processo eleitoral:
“Eu gosto do Lula, me dou bem com ele, mas as eleições parecem ter sido fraudadas.”
Suspeitas levantadas por Trump e repercussão diplomática
Questionado sobre quais providências a Casa Branca pretende adotar em relação ao reconhecimento formal do pleito na América do Sul, Trump ponderou os limites de sua competência soberana:
“Achei que foi uma situação muito ruim. Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Francamente, não tomei partido, mas foi uma imagem péssima para o mundo. É mais uma eleição. Sabe, as eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim. Não tomei partido. Não apoiei ninguém, nem nada. Mas acompanhei a eleição. Pareceu tão, tão corrupta, tão terrível.”
A postura cautelosa manifestada por Trump durante a fase de votação contrastou com a escalada retórica vista após o resultado oficial. Na véspera, ao deixar as dependências do governo norte-americano, o presidente limitava-se a assinalar que sua equipe monitorava os boletins de totalização sem emitir manifestação sobre o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) ou Lula.
O silêncio mantido por Trump ao longo da campanha respondeu a uma orientação estratégica da diplomacia dos Estados Unidos. Segundo levantamento do jornal norte-americano The Washington Post, assessores alertaram que um endosso formal do governo republicano ao candidato do PL tenderia a desencadear efeito rebote no eleitorado brasileiro, fortalecendo a narrativa de soberania nacional adotada pela campanha de esquerda.
Desgaste bilateral prévio e movimentações políticas
As tensões institucionais entre Washington e Brasília acumulam precedentes desde 2025, ano em que Trump implementou tarifas de 50% sobre mercadorias exportadas pelo Brasil, condicionando a revisão das alíquotas ao desfecho dos processos contra Jair Bolsonaro. O pacote punitivo incluiu ainda sanções financeiras e restrições de visto direcionadas a autoridades do Judiciário, entre as quais o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
À época, o Palácio do Planalto denunciou as barreiras comerciais impostas por Trump como tentativa indevida de ingerência na jurisdição nacional. O posicionamento gerou ganhos políticos expressivos para a administração petista: levantamentos da consultoria Genial/Quaest mostraram que a aprovação ao governo federal subiu de 40% em maio de 2025 para 46% em agosto, refletindo a rejeição popular às sanções externas.
Mesmo resguardando apoio formal no segundo turno, Trump havia elogiado com entusiasmo a dianteira conquistada pelo senador liberal no primeiro turno, quando o candidato da direita atingiu cerca de 47% dos votos válidos frente a 45% do atual chefe do Executivo:
“Foi uma grande vitória, apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Incrível, na verdade.”
Apesar da articulação mantida em território americano pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para consolidar laços com a cúpula republicana, a diplomacia da gestão de Trump avalia os impactos de um eventual atraso na emissão dos cumprimentos protocolares de praxe ao presidente reeleito pela Justiça Eleitoral.