Sehal prevê alta de até 10% em restaurantes do ABC no Dia dos Pais
Sindicato projeta alta de até 10% no faturamento dos estabelecimentos do ABC, mas donos de restaurantes alertam para margem de lucro.
- Publicado: 06/08/2026 14:37
- Alterado: 06/08/2026 14:37
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Sehal
O Dia dos Pais representa uma das principais datas comerciais para o setor gastronômico no Grande ABC. A expectativa do Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC (Sehal) é registrar um crescimento entre 5% e 10% no faturamento neste domingo. O índice de clientes nas mesas também deve ser expressivo, com estimativa de um aumento de 76% no movimento em relação a um domingo comum.
A entidade sindical responde por 34.603 estabelecimentos distribuídos pelas sete cidades da região metropolitana. Esses espaços geram mais de 103,8 mil postos de trabalho e dependem das comemorações para impulsionar a receita no segundo semestre, além de contarem com o constante apoio da instituição na qualificação da mão de obra.
“Tradicionalmente, as famílias gostam de se reunir à mesa para celebrar esse momento especial, e isso ajuda a fortalecer os estabelecimentos”, afirma o presidente do Sehal, Beto Moreira.
Impacto financeiro do Dia dos Pais nos restaurantes
Proprietários de bares e lanchonetes entram na reta final para o Dia dos Pais projetando capacidade máxima de atendimento durante o horário de almoço. A confiança dos empreendedores reflete a tendência dos consumidores de priorizarem as experiências e confraternizações presenciais.
“A projeção é de crescimento no faturamento bruto em relação ao ano anterior, um otimismo que acompanha a pesquisa nacional, segundo a qual 76% dos estabelecimentos esperam aumento nas vendas neste domingo”, detalha o diretor financeiro do Sehal e empresário do Restaurante Canoa Quebrada, César Ferreira.
Desafio da lucratividade e inflação
O aumento no fluxo de clientes mascara um problema estrutural crônico do setor de alimentação fora do lar. Gestores lidam diariamente com a inflação de insumos e taxas de juros elevadas, fatores macroeconômicos que comprimem as margens de negócio.
A conversão de vendas em rentabilidade real continua sendo a principal barreira para o empresariado local. Muitos donos de comércios absorvem a alta dos custos nas operações rotineiras para evitar o repasse aos cardápios e tentar garantir a ocupação total no Dia dos Pais.
Atualmente, apenas 35% das empresas operam com rentabilidade considerada saudável na região. Uma parcela significativa do mercado indica que 40% trabalham no ponto de equilíbrio, sem gerar lucro financeiro expressivo. O cenário mais crítico aponta 25% de estabelecimentos que enfrentam prejuízos acumulados.
“O resultado é um setor que trabalha com grande volume de clientes, mas com uma lucratividade proporcionalmente menor”, conclui César Ferreira. O desempenho dos caixas neste Dia dos Pais servirá como um termômetro financeiro para as contratações temporárias e as estratégias de fim de ano.