Segurança pública deve dominar disputa eleitoral de 2026

Pesquisa Datafolha sobre corrida eleitoral aponta desgaste do governo Lula na área de segurança, enquanto oposição intensifica críticas e Planalto aposta em medidas contra o crime organizado e corrupção

Crédito: Ricardo Stuckert / PR e Lula Marques/Agência Brasil

A segurança pública deve se consolidar como um dos principais temas da corrida eleitoral de 2026. Pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (17) mostra que a área é considerada um dos maiores problemas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliando o espaço para críticas da oposição e fortalecendo o debate sobre combate à criminalidade durante a campanha presidencial.

Segundo o levantamento, a segurança pública aparece entre os setores em que a população avalia pior o desempenho do governo federal. O tema também está entre as maiores preocupações dos brasileiros, ao lado da saúde e da economia.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o tema exige integração entre União, estados e municípios. O parlamentar citou a PEC da Segurança Pública como uma das iniciativas discutidas pelo Congresso Nacional para ampliar a cooperação entre as forças de segurança.

Oposição aposta em críticas sobre criminalidade e corrupção

Lideranças da oposição já indicam que pretendem explorar o desgaste do governo federal na área de segurança pública ao longo da campanha eleitoral. Entre os nomes que vêm utilizando o tema em discursos estão Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.

O deputado federal Kim Kataguiri afirmou que a avaliação negativa do governo nos temas relacionados à segurança e ao combate à corrupção reflete, segundo ele, falhas na gestão federal.

A oposição também busca associar o governo petista a problemas históricos ligados à corrupção, além de questionar a eficácia das recentes medidas anunciadas pelo Palácio do Planalto na área de segurança.

Governo Lula aposta em PEC e combate ao crime organizado

Em resposta às críticas, o governo federal pretende destacar propostas legislativas e operações de combate ao crime organizado nessa corrida eleitoral. Entre as principais apostas está a PEC da Segurança Pública, que estabelece mecanismos de integração entre União, estados e municípios.

Além disso, o Planalto deve reforçar a divulgação do projeto de lei antifacção, que endurece regras contra organizações criminosas, e ações voltadas ao combate de crimes financeiros e de colarinho branco.

O vice-líder do governo na Câmara, Alencar Santana Braga, argumentou que parte da população atribui ao governo federal responsabilidades que seriam dos estados, especialmente no policiamento ostensivo realizado pelas polícias militares.

Integrantes do governo também avaliam que operações contra facções criminosas, como o PCC, poderão ser usadas como vitrine política durante o período eleitoral.

Congresso cobra avanço da PEC da Segurança

A PEC da Segurança Pública segue parada no Senado Federal há mais de dois meses. A proposta aguarda andamento por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Parlamentares da base governista e de partidos do Centrão defendem que o Senado acelere a tramitação do texto, considerado estratégico tanto para o governo quanto para o debate eleitoral de 2026.

De acordo com Pedro Lucas Fernandes, líder do União Brasil na Câmara, há pressão de diferentes setores políticos para que a proposta avance nas comissões da Casa.

Saúde também deve entrar na disputa eleitoral

Além da segurança pública, a saúde aparece como outra área sensível para o governo federal. O Datafolha aponta que o setor está entre os mais mal avaliados pela população.

O deputado Carlos Veras afirmou que a campanha do presidente Lula deverá destacar programas como o Farmácia Popular, o Mais Médicos e o Agora Tem Especialista.

Segundo aliados do governo, a estratégia será comparar ações da atual gestão com medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente no período da pandemia da Covid-19.

  • Publicado: 17/05/2026 19:00
  • Alterado: 17/05/2026 19:00
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: Datafolha