Santiago Peña renuncia após crise bancária no Paraguai
Santiago Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank e à pressão de parlamentares por abertura de processo de impeachment
- Publicado: 05/11/2026 14:13
- Alterado: 05/11/2026 14:13
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: ABCdoABC
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. A decisão foi comunicada enquanto o Congresso discutia a abertura de um processo de impeachment contra o chefe de Estado, que perdeu apoio de integrantes do próprio partido governista.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Santiago Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população e declarou que nunca teve a intenção de decepcionar a confiança dos paraguaios.
A renúncia ainda precisa passar pelos procedimentos formais no Congresso paraguaio. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do Executivo para completar o mandato, previsto originalmente até 2028.
Crise no Ueno Bank provocou pressão política
A crise começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank e iniciar o processo de liquidação da instituição. A autoridade monetária identificou problemas de solvência, com recursos insuficientes para cobrir as obrigações financeiras do banco.

A situação afetou aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram sem acesso às contas. A instituição também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados ao Instituto de Previdência Social paraguaio.
Peña havia sido acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A ligação empresarial passou a ser um dos principais pontos de questionamento durante a crise.
Impeachment de Santiago Peña reunia apoio da oposição e de governistas
O pedido de impeachment de Santiago Peña foi apresentado por 35 deputados, que apontaram possíveis conflitos de interesse, irregularidades envolvendo recursos previdenciários e suspeitas de proteção institucional ao banco.
A pressão aumentou após integrantes do Partido Colorado, legenda de Peña, retirarem o apoio ao presidente. A movimentação abriu caminho para que parlamentares governistas também defendessem sua saída.
A crise provocou protestos de clientes e funcionários da instituição financeira. O Ministério Público paraguaio também avançou nas investigações, com a detenção de executivos ligados ao banco e acusações formais contra 27 pessoas.
Vice-presidente deverá assumir o governo
Com a renúncia de Santiago Peña, Pedro Alliana deverá assumir a Presidência do Paraguai, conforme prevê a sucessão constitucional do país. A mudança ocorre pouco mais de três anos após Peña assumir o cargo, em agosto de 2023.

A crise do Ueno Bank, que começou no setor financeiro, acabou provocando uma das maiores turbulências políticas do atual governo paraguaio.