Sam Neill, astro de Jurassic Park, morre aos 78 anos
Sam Neill morreu na Austrália. A família informou que a morte foi repentina e destacou que o ator estava livre do câncer
- Publicado: 13/07/2026 07:32
- Alterado: 13/07/2026 11:49
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
Sam Neill, o versátil ator neozelandês conhecido mundialmente pelo papel do paleontólogo Dr. Alan Grant na franquia “Jurassic Park”, morreu nesta segunda-feira (13), em Sydney, na Austrália. Ele tinha 78 anos e acumulava uma carreira de cinco décadas, com participação em mais de 150 produções.
A família anunciou a morte em uma publicação nas redes sociais, mas não divulgou detalhes sobre a causa. Sam Neill havia recebido o diagnóstico de linfoma de células T angioimunoblástico em março de 2022 e passou por tratamento durante os últimos anos de vida. Segundo seus familiares, ele estava “livre do câncer” quando morreu.
Nascido na Irlanda do Norte e criado na Nova Zelândia, o ator construiu uma trajetória marcada por personagens complexos, transitando entre dramas, filmes de aventura, produções independentes e grandes sucessos de Hollywood.
Da Nova Zelândia ao reconhecimento mundial
Sam Neill nasceu em 14 de setembro de 1947, em Omagh, no Condado de Tyrone, na Irlanda do Norte. Filho de Dermot Neill, um neozelandês que serviu como oficial do exército britânico, e de Priscilla Neill, mudou-se aos 7 anos com a família para a Ilha Sul da Nova Zelândia.
Durante a infância, estudou na Cashmere Primary School e depois frequentou a Medbury School e o Christ’s College, em Christchurch. Em suas memórias de 2023, “Did I Ever Tell You This?”, descreveu-se como um estudante comum e afirmou que enfrentava dificuldades por causa da timidez, da gagueira e do próprio nome de nascimento, Nigel.
Aos 11 anos, decidiu adotar o nome Sam, inspirado em personagens de filmes de faroeste. Segundo ele, a mudança foi uma das melhores decisões de sua vida, por considerar o nome mais simples e amigável.
Ele estudou literatura inglesa na Universidade de Victoria, em Wellington, onde se formou em 1970. Antes de alcançar o cinema internacional, iniciou sua carreira nos palcos, trabalhando com companhias de teatro da Nova Zelândia.
Cinema, televisão e os grandes sucessos
O reconhecimento começou com o drama australiano “My Brilliant Career”, de 1979, no qual interpretou um fazendeiro de fronteira. A atuação recebeu elogios da crítica, que destacou sua capacidade de interpretar personagens com diferentes camadas emocionais.
Depois do sucesso do longa, mudou-se para Sydney e passou a conquistar oportunidades no cinema internacional. Sua estreia em Hollywood aconteceu em 1981, no filme “A Profecia 3: O Conflito Final”, no papel do Anticristo.
Ao longo da carreira, participou de produções como “O Piano” (1993), “Hunt For the Wilderpeople” (2016), “Jurassic Park” (1993) e suas sequências, além de “Thor: Amor e Trovão” (2022). Também integrou o elenco da série britânica “Peaky Blinders”.
O ator recebeu indicações a dois Emmys, pelas produções “Merlin” (1998) e “New Zealand: Earth’s Mythical Islands” (2017), além de três indicações ao Globo de Ouro por trabalhos em “Reilly: Ace of Spies”, “One Against the Wind” e “Merlin”.
Homenagens, Nova Zelândia e vida pessoal
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, lamentou a morte do artista e afirmou que ele havia conquistado um lugar especial no coração dos australianos por participar de diversas histórias importantes do país.
“Sam lutou contra a doença com a mesma dignidade, humor e convicção que deram força a cada uma de suas atuações”, escreveu Albanese nas redes sociais.
Em 2007, recebeu a nomeação de Companheiro Distinto da Ordem de Mérito da Nova Zelândia, tornando-se elegível para receber o título de cavaleiro. Inicialmente, recusou a honraria em 2009, mas voltou atrás anos depois e tornou-se Cavaleiro Companheiro em 2022.
Apesar da fama internacional, manteve uma forte ligação com a Nova Zelândia. Passava grande parte do tempo em Central Otago, onde iniciou em 1993 a produção de vinhos da marca Two Paddocks. Seus rótulos eram bem avaliados por críticos, mas ele defendia preços acessíveis para o público.
A morte de Sam Neill encerra a trajetória de um artista reconhecido pela habilidade de representar personagens humanos, contraditórios e marcados por diferentes emoções.
Ele deixa os irmãos Michael, acadêmico, e Juliet, professora de teatro, além dos filhos: um do relacionamento de 11 anos com a atriz Lisa Harrow e duas filhas do casamento com a maquiadora Noriko Watanabe, encerrado em 2017.