Resident Evil aposta no terror para renovar a franquia

Novo Resident Evil aposta no terror e respeita a essência dos games com uma história inédita, referências e tensão em Raccoon City, sem copiar os jogos

Crédito: Divulgação

O novo filme de Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, chega aos cinemas em 17 de setembro com uma proposta diferente das adaptações anteriores. Ambientado entre os acontecimentos do primeiro e do segundo jogo da franquia, o longa não utiliza personagens conhecidos dos games nem estabelece uma conexão direta com suas histórias, mas incorpora elementos reconhecíveis para os fãs.

A trama de Resident Evil acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, um entregador que aceita realizar uma entrega para a cidade de Raccoon City no fim do expediente. O trabalho ganha um peso inesperado quando ele se envolve em um acidente durante uma estrada coberta de neve e acaba encontrando uma mulher que apresenta um comportamento incomum.

Ao tentar levá-la até um hospital, Bryan cruza com um policial que decide acompanhá-lo. A situação muda rapidamente quando a mulher ataca o agente dentro da viatura e provoca um acidente. Bryan também é atacado e, mesmo sem experiência com armas, consegue reagir. O problema é que sua tentativa de defesa termina destruindo o próprio veículo.

A partir desse momento, o longa abandona a introdução e assume definitivamente a estrutura de sobrevivência. Bryan precisa atravessar Raccoon City, enfrentar ameaças e tentar cumprir a entrega enquanto descobre aos poucos o que está acontecendo ao seu redor.

Referências aos games funcionam sem depender deles

Uma das decisões mais eficientes do filme está justamente em não tentar reproduzir diretamente os jogos.

Em vez de transportar personagens conhecidos para a tela, o roteiro utiliza referências espalhadas pela narrativa. A presença de ervas, a busca constante por munição, a escassez de suprimentos e a necessidade de administrar recursos funcionam como elementos que aproximam o longa da experiência dos games sem transformar a produção em uma simples adaptação de uma história já conhecida.

Esse equilíbrio favorece tanto quem conhece a franquia quanto quem chega ao filme sem familiaridade com os jogos. As referências funcionam como detalhes dentro da própria narrativa, enquanto a trama permanece independente.

Direção aposta na tensão

A direção de Zach Cregger é outro ponto de destaque. A câmera acompanha os personagens de maneira próxima em diferentes momentos, criando uma sensação constante de perseguição.

O longa também utiliza sequências em primeira pessoa que remetem à experiência de Resident Evil Village, além de escolhas visuais que evocam diferentes fases da franquia. Essas referências não aparecem apenas como homenagem, mas ajudam a estabelecer uma linguagem própria para o filme.

A ambientação é, provavelmente, o maior acerto da produção.

Mesmo com boa parte da história acontecendo em ambientes abertos de Raccoon City, o filme consegue construir uma sensação claustrofóbica. O espaço parece cada vez menor conforme as ameaças aumentam e as possibilidades de fuga diminuem.

Terror equilibra sustos e humor

A sensação de urgência é reforçada pela perseguição constante de um zumbi que transforma diversos momentos em cenas de sobrevivência.

Os jump scares também funcionam melhor do que poderiam parecer no papel. O filme utiliza os sustos de forma relativamente eficiente, evitando depender exclusivamente deles para construir tensão.

O roteiro ainda intercala alguns momentos de humor, principalmente em situações envolvendo Bryan. A combinação ajuda a aliviar a intensidade de determinadas sequências sem desmontar completamente a atmosfera de terror.

Essa alternância entre tensão e humor também contribui para a construção do protagonista.

Austin Abrams sustenta o protagonista

Austin Abrams entrega uma atuação que ajuda a tornar Bryan convincente dentro da proposta do filme.

O personagem não começa como um herói preparado para enfrentar criaturas. Pelo contrário, sua falta de familiaridade com armas e com a situação em que está inserido faz parte da construção da narrativa.

A evolução acontece gradualmente. Bryan aprende a lidar com os equipamentos que encontra e precisa improvisar para sobreviver, o que cria situações capazes de provocar tanto tensão quanto humor.

Essa perspectiva também ajuda o público a acompanhar a história pelo mesmo ponto de vista do protagonista: alguém que não entende completamente o que está acontecendo e precisa descobrir como sobreviver.

Uma adaptação que entende o que torna Resident Evil reconhecível

O principal mérito do novo Resident Evil está em compreender que uma adaptação não precisa reproduzir os jogos literalmente para dialogar com eles.

O filme utiliza mecânicas, referências visuais e conceitos associados à franquia para construir uma experiência própria. A escassez de recursos, a exploração, a tensão constante e a presença de ameaças sobrenaturais fazem com que a produção preserve elementos fundamentais da identidade de Resident Evil.

Ao mesmo tempo, a história inédita impede que o longa fique limitado à necessidade de reproduzir cenas ou personagens já conhecidos.

Veredito

O novo Resident Evil encontra uma identidade própria ao apostar no terror e na sobrevivência sem transformar a adaptação em uma reprodução direta dos jogos.

A direção de Zach Cregger fortalece a atmosfera, os elementos inspirados nos games são utilizados de maneira funcional e Austin Abrams convence como um protagonista comum colocado em uma situação extraordinária.

A produção acerta principalmente quando entende que o medo funciona melhor quando o espectador acredita que o personagem não está preparado para enfrentar o que vem pela frente.

Com isso, o longa se consolida como uma adaptação que respeita o universo dos games sem depender exclusivamente dele para funcionar como filme de terror.

  • Publicado: 16/09/2026 16:34
  • Alterado: 16/09/2026 16:34
  • Autor: Carlos Enriki
  • Fonte: ABCdoABC