Relatório aponta 2 milhões de refugiados no Brasil
Novo relatório do OBMigra destaca que 2 milhões de refugiados e migrantes vivem no Brasil, mas enfrentam barreiras em 95% das cidades
- Publicado: 01/05/2026 16:47
- Alterado: 01/05/2026 16:48
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ACNUR
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou, na quinta-feira (30), o 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). O documento revela que o Brasil abriga atualmente cerca de 2 milhões de migrantes e refugiados de 200 nacionalidades, consolidando o país como referência global em governança migratória.
O estudo destaca que, embora o Brasil tenha avançado no acolhimento de refugiados, a integração estruturada desses refugiados ainda é um desafio: menos de 5% dos municípios brasileiros possuem políticas ou acordos formais de atendimento a essa população.
Emprego e Concentração Regional

Dos 2 milhões de migrantes, cerca de 414 mil estão inseridos no mercado de trabalho formal. A distribuição geográfica dessa mão de obra é marcada por uma forte concentração:
- Região Sul: Concentra 56,2% dos migrantes empregados, com destaque para o setor agroindustrial.
- Educação e Revalidação: O Paraná lidera as ações de revalidação de diplomas, enquanto as matrículas de estrangeiros na educação básica saltaram 437% entre 2010 e 2024.
- Cidades Modelo: São Paulo (SP) e Campo Grande (MS) foram citadas como referências na oferta de abrigos, conselhos e capacitação profissional.
“A política migratória precisa ser compreendida como vetor de trabalho, desenvolvimento e proteção social”, afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
Desafios de Integração

O relatório aponta barreiras críticas que dificultam a autonomia dos refugiados. Apenas 1,4% das cidades oferecem serviços públicos em outros idiomas, criando obstáculos no acesso à saúde e à educação. A falta de estruturas institucionais nos municípios sobrecarrega as capitais e limita a interiorização dos fluxos.
Protagonismo Internacional
A divulgação dos dados ocorre às vésperas do Fórum Internacional de Revisão das Migrações (IMRF), que acontece em Nova Iorque entre 5 e 8 de maio. Após retornar ao Pacto Global para a Migração em 2023, o Brasil apresentará suas boas práticas de acolhimento e governança em busca de fortalecer a cooperação internacional.