Redata sancionado por Lula amplia mercado de dados
Nova legislação suspende tributos federais por cinco anos para empresas do setor. O foco é garantir soberania digital e energia renovável
- Publicado: 15/09/2026 13:36
- Alterado: 15/09/2026 13:47
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Assessoria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a lei que institui o REDATA nesta terça-feira (15/9). O novo regime especial de tributação visa estimular a construção de centros de processamento em território nacional. O Brasil busca recuperar o controle sobre suas informações estratégicas. Hoje, servidores estrangeiros armazenam 60% dos dados gerados pelos brasileiros.
Como o Redata afeta a economia verde
A legislação integra o Plano de Transformação Ecológica desenhado pelo governo federal. Centros de armazenagem demandam um volume gigantesco de energia e água. As regras exigem contrapartidas ambientais severas. Corporações aprovadas no programa precisarão comprovar o uso de fontes renováveis, como usinas solares ou parques eólicos.
O texto exige contratos de suprimento limpo ou autoprodução energética. A eficiência hídrica também entrou no radar de exigências estruturais. O limite de consumo para resfriamento de máquinas fica restrito a 0,05 litro de água por quilowatt-hora, com o Redata.
Regras para manter o benefício
As companhias de tecnologia assumem obrigações claras com o mercado interno. O Redata exige o cumprimento de métricas operacionais rigorosas para destravar as suspensões fiscais:
- Reserva de pelo menos 10% da capacidade total de processamento para clientes locais.
- Investimento de 2% do valor dos produtos importados (com isenção) em pesquisas com universidades nacionais.
- Garantia de infraestrutura para computação em nuvem, treinamento e inteligência artificial.
Startups, hospitais, escolas e prefeituras pagarão menos pelos serviços de computação em nuvem. A fila de espera para rodar modelos complexos cai drasticamente.
“Com datacenters no Brasil, os dados estarão no país e serão submetidos à legislação brasileira.”
Isenção de impostos e impacto industrial
O pacote suspende a cobrança de tributos na compra de componentes eletrônicos de tecnologia da informação e comunicação (TIC). A regra vale tanto para equipamentos importados quanto para peças fabricadas no Brasil. Fornecedores da cadeia produtiva de computadores também acessam o alívio financeiro, estimulando o maquinário local.
A medida favorece a reindustrialização do Norte e Nordeste. Ambas as regiões concentram a matriz energética mais limpa e acessível do país, tornando-se polos naturais para essas instalações. O Ministério da Fazenda autorizará a entrada das empresas, exigindo a certidão negativa de débitos federais como filtro inicial.
O descumprimento das cláusulas ambientais ou comerciais aciona sanções legais imediatas. A Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento farão o monitoramento contínuo das operações e do impacto produtivo. O avanço tecnológico global exige infraestrutura robusta e segura. O Redata estrutura a base para o Brasil competir fortemente no mercado de inteligência artificial e serviços digitais.