Prisões por violência doméstica sobem 25,7% em SP
As forças de segurança paulistas detiveram mais de 10 mil agressores no primeiro semestre, reflexo da ampliação dos canais de denúncia.
- Publicado: 06/08/2026 12:21
- Alterado: 06/08/2026 12:21
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
As prisões em flagrante e apreensões por violência doméstica registraram um crescimento de 25,7% no estado de São Paulo no primeiro semestre deste ano. As forças de segurança detiveram 10.924 autores entre janeiro e junho. O volume operacional supera as 8.692 detenções registradas no mesmo período do ano passado.
A capital paulista concentrou o maior número de ocorrências, com 1.768 registros, representando uma alta de 28,6% em relação ao semestre anterior. A região da Grande São Paulo acumulou 1.552 casos. O interior destacou-se com elevados índices nas áreas de Ribeirão Preto (1.203), Campinas (1.095) e Sorocaba (1.053).
O mês de junho contabilizou 1.741 detenções em todo o estado, contra 1.375 no mesmo mês do ano anterior, configurando uma alta de 26,6%. O indicador aponta um crescimento de 44,4% na comparação com 2024, período em que as delegacias registraram 952 prisões e apreensões.
“Esse aumento demonstra que mais vítimas estão conseguindo acessar os canais de proteção e denunciar as agressões. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da atuação policial permite uma resposta mais rápida para interromper ciclos de violência e responsabilizar os autores”, disse a titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Cristine Nascimento.
Novas estruturas combatem a violência doméstica
O Governo de São Paulo direcionou investimentos para modernizar a rede de atendimento às vítimas e facilitar o registro de ocorrências. A Polícia Militar instituiu a Cabine Lilás, sistema telefônico que transfere ligações de emergência do 190 diretamente para policiais femininas. As agentes fornecem orientações sobre medidas protetivas e redes de abrigo.
O serviço emergencial contabilizou 34 mil atendimentos até julho deste ano. A administração estadual ativou o aplicativo SP Mulher Segura, plataforma que permite a formulação de boletins de ocorrência pela internet. A ferramenta digital inclui um botão do pânico integrado à central policial e contatos de emergência pré-cadastrados.
Patrulhamento especializado e acolhimento
A corporação estabeleceu a Patrulha SP Mulher Segura, primeira estrutura de ronda ostensiva dedicada exclusivamente à proteção feminina. O policiamento monitora situações de risco, trabalhando em conjunto com os chamados recebidos pelo aplicativo e pelas centrais telefônicas.
“A Patrulha SP Mulher Segura amplia o acompanhamento das mulheres que já acionaram a rede de proteção. A partir dos atendimentos feitos pela Cabine Lilás, pelo aplicativo e pelas equipes de rua, conseguimos identificar situações de maior risco e direcionar o policiamento para prevenir novas agressões e responder com rapidez quando houver necessidade”, afirmou a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli.
Os policiais dessa nova ronda efetuaram a prisão de um homem de 42 anos suspeito de manter a companheira grávida em cárcere privado na Zona Norte da capital paulista. A intervenção resgatou a vítima, de nacionalidade filipina, e o filho do casal em 21 de julho. O comando policial criou o Espaço Lilás nos batalhões para reforçar o acolhimento imediato durante essas crises de violência doméstica.
”Nenhuma mulher pode ficar sem atendimento quando mais precisa. Nós trabalhamos todos os dias para garantir que ela encontre acolhimento, orientação e todo o apoio necessário para romper o ciclo da violência”, declarou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
Ações policiais miram agressores de violência doméstica
As tropas de segurança executam operações contínuas focadas no cumprimento de mandados judiciais contra ofensores. A Operação Mulher Protegida resultou na prisão de 174 homens no início de julho. O balanço estatístico detalha que 98 detenções ocorreram em flagrante e 76 por determinações da Justiça.
A estrutura estadual engloba 144 Delegacias de Defesa da Mulher territoriais, operando com 19 unidades com funcionamento 24 horas. Os plantões policiais tradicionais abrigam 235 Salas DDM Online, garantindo que as vítimas recebam suporte imediato por videoconferência em qualquer denúncia de violência doméstica.