Prefeitura de SP investiga vazamento do Smart Sampa
Gestão municipal reforça autenticação e senhas do Smart Sampa enquanto apura conduta de servidor que vazou acessos de câmeras
- Publicado: 20/10/2026 11:19
- Alterado: 20/10/2026 11:19
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
A administração municipal paulistana abriu um procedimento apuratório para averiguar o vazamento de credenciais sigilosas do Smart Sampa, plataforma de monitoramento urbano e identificação facial vinculada à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A apuração veio à tona nesta terça-feira (20), após reportagem publicada pelo portal UOL revelar a exposição de arquivos em um repositório na internet por cerca de 11 meses.
A brecha de acesso indevido envolveu o sinal ao vivo de mais de 58 mil dispositivos de vídeo espalhados pela cidade. O alcance da malha abrange aparelhos posicionados em vias públicas, unidades de saúde, creches e escolas da rede municipal.
Posição oficial do Executivo e sanção administrativa
Ao se manifestar sobre o caso, a Prefeitura de São Paulo confirmou a exposição das informações, mas afastou qualquer hipótese de vulnerabilidade técnica ou invasão nos servidores do Smart Sampa.
De acordo com o posicionamento oficial, as chaves de acesso foram repassadas ilegalmente por um agente de segurança pública que tinha permissão formal para navegar no sistema do Smart Sampa.

O servidordo Smart Sampa apontado como responsável pelo vazamento foi suspenso de suas funções operacionais enquanto responde ao processo administrativo disciplinar.
A gestão informou ainda ter obtido a desativação imediata do link que mantinha os dados expostos na rede mundial de computadores.
Implementação de travas digitais e auditorias de controle
Em reação ao episódio, o governo municipal reformulou as exigências para o login de operadores no centro de controle do programa. As novas diretrizes impõem o uso de senhas individuais e intransferíveis, combinadas à verificação em dois fatores.
A criação de novos acessos também passou a depender da validação por códigos temporários encaminhados via SMS aos dispositivos dos agentes cadastrados.
A prefeitura declarou que não houve uso indevido das imagens armazenadas e lembrou que a operação da ferramenta passa pelo crivo do Tribunal de Contas do Município (TCM).
O programa também conta com consultoria externa em privacidade de dados e envia relatórios semestrais de transparência ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
Orçamento mensal, recursos tecnológicos e alcance do programa
Inaugurada em julho de 2024, a central de vigilância do Smart Sampa funciona ininterruptamente e demanda um investimento municipal de R$ 10 milhões por mês.
O software emprega algoritmos de inteligência artificial para cruzar os feeds de vídeo com bancos de dados de foragidos da Justiça e pessoas desaparecidas. A tecnologia também monitora o tráfego de veículos para identificar automóveis clonados, furtados ou roubados na capital.

Em junho deste ano, o Executivo reforçou o cerco com a contratação de um helicóptero de patrulhamento aéreo por R$ 2 milhões mensais e com o lançamento do aplicativo Smart Sampa Cidadão, voltado a denúncias pela população.
Indicadores atualizados da administração apontam que a rede de câmeras auxiliou na captura de 3.628 procurados e no reencontro de 284 pessoas dadas como desaparecidas.
Inspiração para plataforma de âmbito nacional
A experiência paulistana com a central de videomonitoramento acabou ultrapassando as fronteiras do município e passou a integrar o plano de governo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Registrada na Justiça Eleitoral sob a denominação “Smart Brasil”, projeto anteriormente tratado como Muralha Brasileira —, a proposta prevê interligar mais de 1 milhão de câmeras de estados e municípios a cadastros criminais unificados em todo o país.