Precatórios entram no foco do CNJ e do STJ após cobrança de Gilmar

Conselhos preparam fiscalização extraordinária e novas regras de transparência para frear irregularidades milionárias nos pagamentos.

Crédito: Andressa Anholete/STF

Os presidentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Edson Fachin, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, anunciaram ações conjuntas nesta terça-feira para investigar irregularidades na emissão de precatórios. A mobilização ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, cobrar respostas institucionais sobre pagamentos suspeitos.

Fachin propôs à Corregedoria Nacional de Justiça a abertura imediata de uma inspeção extraordinária em varas e tribunais federais. O foco da devassa abrange os repasses financeiros atrelados ao setor sucroalcooleiro e à revisão da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).

Novas regras para precatórios federais

Precatórios Federais - Déficit
(Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)

Salomão acionou servidores do Conselho da Justiça Federal (CJF) para desenhar um pacote de medidas em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU). O corregedor do CJF e vice-presidente do STJ, Mauro Campbell, conduz essas rodadas de negociação.

As cortes planejam lançar ainda neste semestre painéis públicos de transparência com informações detalhadas sobre os precatórios de todo o país. O STJ também planeja exigir uma validação eletrônica atestando o esgotamento de recursos judiciais antes de qualquer liberação de crédito.

Outra frente de trabalho envolve a formação de equipes especializadas para analisar créditos judiciais de alto valor que impactam os cofres da União. O CJF estuda mecanismos de conciliação em que credores aceitem descontos nos recebimentos originais.

Investigação sobre o Banco Master

Os alertas emitidos pelo decano do STF derivam das investigações criminais envolvendo o Banco Master e a compra de precatórios. Gilmar Mendes exigiu escrutínio sobre o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), apontando ordens de pagamento executadas antes do trânsito em julgado das ações.

“As investigações sobre o Banco Master revelaram um modelo de negócios parasitário, que drenava os recursos públicos e a poupança de milhares de investidores”, destacou o ministro do STF nos ofícios remetidos aos conselhos.

A instituição financeira adquiria esses títulos contra o governo federal com fortes descontos e os contabilizava por cifras superiores para inflar a captação de recursos no mercado. O magistrado citou um contrato interceptado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ligando o Master ao escritório da esposa do desembargador Newton Ramos, do TRF-1.

O acordo comercial estipulava a atuação direta da banca advocatícia em processos vinculados à expedição de precatórios, garantindo honorários contratuais que poderiam alcançar a marca de R$ 427 milhões pagos pela instituição financeira.

  • Publicado: 29/09/2026 14:35
  • Alterado: 29/09/2026 14:35
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria