Potencial benéfico de cervejas é tema de estudo inédito
Recém-publicado no exterior, estudo inédito determina teor de polifenois na cerveja – substâncias com ação antioxidante e benéficas ao coração
- Publicado: 17/12/2012 14:58
- Alterado: 17/12/2012 14:58
- Autor: Eduardo Nascimento
- Fonte: FUABC
Crédito:
Pesquisadores da
Faculdade de Medicina do ABC e da Universidade de São Paulo acabam de publicar
estudo sobre metodologia inédita para determinar em amostras de cerveja o teor
total de polifenois – substâncias benéficas ao sistema cardiovascular devido a
ações antioxidantes, antimicrobianas, antinflamatórias e até mesmo
antitumorais. Como regra geral, quanto maior a quantidade de polifenóis nos
alimentos maiores os benefícios que podem trazer à saúde.
O trabalho de
iniciação científica da aluna Tieme Nakamura, do 3º ano de Ciências
Farmacêuticas da Faculdade de Medicina do ABC, está em detalhes na edição de
novembro do periódico científico britânico “Journal of Food Composition and
Analysis”. A estudante teve como orientador o professor Titular de Química
Analítica da FMABC, Dr. Horacio Dorigan Moya, e contou com colaboração da Dra.
Nina Coichev, professora no Instituto de Química da Universidade de São Paulo.
Ao todo foram
analisadas 17 marcas de cervejas nacionais dos tipos Pilsen, Munchner, Malzbier
e Stout. O maior teor de polifenois foi encontrado nas cervejas escuras tipo
Stout. Vale ressaltar que o trabalho não indica ou reprova o consumo da bebida.
Trata-se de estudo acadêmico que visa somente a determinação de polifenois em
alimentos.
Ineditismo
acadêmico: Não há consenso
na literatura científica a respeito de qual o melhor método para determinação
dos polifenois em amostras de cerveja, tampouco sobre qual substância é mais
indicada como padrão para essa quantificação. O novo método desenvolvido na
Medicina ABC utiliza reação química entre cobre II e neocuproína – agente
específico para esse metal – para determinação dos polifenois. Essa reação é
comprovadamente eficiente quando usada em amostras de vitaminas C e E e para
análise de ácido úrico, proteínas e até mesmo de vinhos – conforme estudo
anterior dos mesmos pesquisadores –, mas nunca havia sido testada em cervejas.
O método
universalmente consagrado até então é o colorimétrico (por cor), que usa
reagente de Folin-Ciocalteau com metais pesados molibdênio e tungstênio. “Pela
primeira vez complexos de cobre foram usados na determinação de polifenois em
cervejas. Trata-se de novo método colorimétrico, que se baseia na mudança de
cor do verde para o laranja quando há presença de polifenois. Utilizando
equipamento específico para essa finalidade, é possível calcular a quantidade
presente na amostra sem interferência de outros aditivos comumente encontrados
na cerveja”, detalha o professor Titular de Química Analítica da FMABC, Dr.
Horacio Dorigan Moya, que acrescenta: “Além disso, o novo método é barato, tem
baixa produção de resíduos e soluciona um dos principais inconvenientes do
reagente de Folin-Ciocalteau, que é o uso de metais pesados na reação,
prejudiciais ao meio ambiente e normalmente não recicláveis”.
O estudo “Modified
CUPRAC spectrophotometric quantification of total polyphenol content in beer
samples using Cu(II)/neocuproine complexes” está na edição de novembro da
revista britânica “Journal of Food Composition and Analysis” (vol. 28, pg.
126-134) e pode ser acessado pelo site http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0889157512001470