Policial militar supera violência e ajuda mulheres em risco

Policial militar de SP usa trajetória de superação para fortalecer rede de proteção a mulheres

Crédito: Pablo Jacob/Governo de SP

Uma policial militar com quase três décadas de experiência no atendimento de emergências pelo telefone 190 transformou a própria trajetória em referência no acolhimento de mulheres em situação de risco em São Paulo. A cabo Kátia Cilene integrou a linha de frente do atendimento a casos de violência doméstica e hoje atua na rede de proteção do Governo de SP.

Experiência pessoal e motivação

Antes de ingressar na Polícia Militar, Kátia, então com 19 anos e recém-chegada de Recife, enfrentou episódios de violência em seu relacionamento. Um dos casos ocorreu quando contou ao marido sobre a aprovação no concurso da corporação: “Ele tentou me jogar para fora do carro no meio da rodovia durante uma discussão”, relatou.

A vivência pessoal deu à policial militar uma sensibilidade única para lidar com vítimas. Durante 28 anos no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), ela se tornou uma das vozes do telefone 190, ouvindo relatos de mulheres em situação de violência doméstica e oferecendo orientação e apoio imediato.

Cabine Lilás e atendimento humanizado

cabo Kátia Cilene - Policial militar
Pablo Jacob/Governo de SP.

Em 2023, Kátia participou da formação da Cabine Lilás, iniciativa voltada ao atendimento especializado a mulheres vítimas de violência. A policial militar passou a identificar os ciclos da violência doméstica e a orientar as vítimas sobre seus direitos e mecanismos de proteção. “Você falou do seu marido, dos seus filhos, mas e você?”, pergunta às mulheres, destacando a importância de preservar autonomia e identidade.

O projeto Cabine Lilás oferece atendimento sigiloso, conduzido exclusivamente por policiais femininas capacitadas. Desde 2023, já foram realizados 25 mil atendimentos, com 120 prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.

Formação de novos profissionais

Próxima de completar 30 anos na Polícia Militar, Kátia atua na formação de novos policiais. Ela ministra aulas de Tecnologia, Informação e Comunicação na Escola Superior de Soldados (ESSd) e de Direitos Humanos no Comando de Policiamento de Choque (CPChq). “Ensino que é preciso ser profissional e, ao mesmo tempo, humanizado. Quem liga para o 190 está em um momento de desespero”, comenta.

Rede de proteção e aplicativos

Divulgação/Governo de SP

Além da Cabine Lilás, as vítimas recebem orientação pelo aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar boletim de ocorrência, acionar o botão do pânico e solicitar viaturas em situações de ameaça. São Paulo conta atualmente com 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), incluindo 18 com atendimento 24 horas, e 173 salas DDMs em plantões policiais, todas com equipes especializadas.

O movimento SP Por Todas fortalece a rede de proteção e promove autonomia profissional e financeira para mulheres em todo o estado, conectando políticas públicas a ações práticas. Para a policial militar Kátia Cilene, a experiência pessoal transformada em serviço público mostra que é possível atuar com profissionalismo e empatia, protegendo vidas e fortalecendo a rede de apoio às mulheres em situação de risco.

  • Publicado: 06/03/2026 18:45
  • Alterado: 06/03/2026 18:45
  • Autor: 06/03/2026
  • Fonte: Agência SP