Polícia recupera obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade
Polícia recupera oito gravuras de Henri Matisse roubadas da Biblioteca Mário de Andrade. Peças foram achadas em São Bernardo
- Publicado: 13/08/2026 22:50
- Alterado: 13/08/2026 22:50
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Agência SP
A Polícia Civil de São Paulo conseguiu recuperar, nesta quinta-feira (13), oito das 13 obras de arte que foram roubadas do acervo da Biblioteca Mário de Andrade, localizada no centro da capital paulista. As peças gravadas pelo mestre francês Henri Matisse estavam escondidas em uma residência no centro do município de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. As investigações continuam para localizar o restante do material roubado em dezembro do ano passado.
Detalhes da apreensão e prejuízo estimado
As oito gravuras resgatadas na ação estão avaliadas em mais de R$ 1 milhão. No entanto, outras cinco obras valiosas do pintor brasileiro Cândido Portinari continuam desaparecidas. A principal hipótese de trabalho da equipe de investigação é que as telas e gravuras de Portinari já tenham sido comercializadas no mercado clandestino.
Na residência onde o acervo da Biblioteca Mário de Andrade foi encontrado, um homem foi preso em flagrante pelo crime de receptação. Durante as buscas, os agentes localizaram uma arma de fogo sem registro, resultando também na autuação do suspeito por posse ilegal de armamento.
“O investigado mantinha as peças guardadas a pedido do verdadeiro mandante do esquema, funcionando como um ponto de depósito do grupo criminoso”, informou a equipe de investigação da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), responsável pelo caso.
Identificação dos suspeitos e tecnologia policial
O audacioso roubo à Biblioteca Mário de Andrade ocorreu quando dois homens armados invadiram o prédio histórico na região da República, renderam os vigilantes e visitantes, e fugiram levando as peças de valor inestimável. Um dos executores diretos do assalto acabou preso logo no dia seguinte, na Avenida Alcântara Machado.
A captura foi viabilizada pelo cruzamento de dados de inteligência com as câmeras do programa Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, e com o sistema Muralha Paulista. Os sistemas identificaram a presença do suspeito no entorno do equipamento cultural um dia antes do crime, realizando o levantamento do local.
Estrutura do grupo criminoso e prisões anteriores
As investigações revelaram que o furto das peças da Biblioteca Mário de Andrade não foi um fato isolado, mas sim ação de uma organização criminosa estruturada e especializada no roubo e receptação de patrimônio cultural.
O homem apontado como mandante do assalto à Biblioteca Mário de Andrade já se encontrava detido no sistema prisional federal desde abril. Ele havia sido capturado pela Polícia Federal no Rio de Janeiro sob a acusação de tentar subornar o agente de segurança de um instituto federal para viabilizar o furto de outras obras de arte.
Em maio, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Diadema e Rio de Janeiro. Os alvos incluíam locais de leilão e galerias de arte suspeitas de integrar a rede de receptação das obras subtraídas da Biblioteca Mário de Andrade. As autoridades seguem trabalhando no rastreio para recuperar o acervo restante de Portinari.