Polícias de SP localizam 59 mil pessoas desaparecidas desde 2023
Forças de segurança do estado atingem a marca de 42 resoluções diárias com uso integrado de inteligência, análise genética e tecnologia.
- Publicado: 04/11/2026 11:55
- Alterado: 04/11/2026 11:55
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
O trabalho integrado das forças de segurança em São Paulo resultou na localização de 59.017 pessoas desaparecidas entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. O volume corresponde a 78,6% dos registros oficiais durante o período analisado. A Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Científica uniram dados e recursos humanos para manter uma média de 42 localizações diárias no estado.
Como a tecnologia acelera a busca por pessoas desaparecidas
A frente de atuação integrada envolve diretamente a Cabine Muralha Paulista. A ferramenta operada por agentes militares permite iniciar rastreios imediatos de pessoas desaparecidas assim que o boletim de ocorrência entra no sistema estadual.
Entre abril e outubro de 2026, esse painel digital garantiu 422 resoluções de casos. Desse total, 230 localizações ocorreram exclusivamente pela plataforma, sem a necessidade inicial de diligências convencionais de rua.
O fator tempo nas investigações
A urgência no aviso às autoridades define o sucesso da operação. A Polícia Civil lidera as etapas de investigação e tenta quebrar o mito social da espera de um dia inteiro para acionar o socorro estatal.
“Não é necessário esperar 24 horas para registrar o desaparecimento. É importante que os familiares procurem a polícia assim que perceberem a ausência”, orienta a delegada Bárbara Travassos, da 5ª Delegacia de Investigações do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
A recomendação oficial exige que as famílias forneçam o máximo de detalhes no primeiro momento. Fotografias recentes, características físicas específicas e contatos telefônicos aceleram o cruzamento de informações.
Banco de DNA identifica vítimas
Nos cenários mais complexos, a Polícia Técnico-Científica assume o protagonismo com os exames periciais. O uso contínuo de perfis genéticos ajuda a mapear vítimas que perderam a vida e não puderam ser reconhecidas pelos métodos tradicionais de biometria.
Parentes diretos de pessoas desaparecidas há mais de 30 dias podem agendar a coleta gratuita de material genético pelo site da SPTC. O exame indolor ocorre presencialmente no Instituto Médico Legal (IML), recolhendo células do interior da boca com um cotonete.
“Quanto mais familiares realizarem a coleta de DNA, maiores serão as possibilidades de identificação. Muitas vezes, temos o material genético de uma pessoa não identificada, mas não conseguimos correspondência porque não há amostras cadastradas”, explica Maria Paula Valadares, perita criminal.
Protocolo final para as famílias
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) orienta a atualização constante de telefones por parte dos familiares. Manter o canal aberto com os investigadores acelera as respostas operacionais e evita possíveis golpes financeiros de terceiros.
Caso o reencontro familiar aconteça de forma independente, os parentes precisam avisar imediatamente a delegacia. Essa baixa imediata no sistema de pessoas desaparecidas libera os agentes para concentrarem todos os esforços nas investigações que continuam abertas.