Polícia de SP mata uma pessoa a cada 12 horas no governo Tarcísio

Levantamento aponta crescimento de 70% na letalidade das forças de segurança estaduais em comparação ao último ano da gestão anterior.

Crédito: JOÃO VALÉRIO / Governo do Estado de SP

A Polícia de SP matou, em média, uma pessoa a cada 12 horas e 13 minutos entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. Os dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam um salto de cerca de 70% no número de mortes em intervenções na gestão Tarcísio de Freitas. A estatística contrasta com 2022, quando o intervalo superava 20 horas.

O abandono de medidas de contenção justifica essa escalada, segundo analistas. A gestão anterior adotou o uso de câmeras corporais e ampliou treinamentos para reduzir a letalidade. O atual modelo foca no enfrentamento direto.

“A política de contenção da violência policial do governo Doria foi claramente abandonada no governo do Tarcísio”, avalia o especialista em segurança pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori.

Abordagens da Polícia de SP terminam em mortes na capital

Três casos recentes evidenciam a mudança no padrão de atuação da Polícia de SP. Em Moema, zona sul paulistana, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto com dezenas de tiros em 10 de outubro. Os agentes relataram ter confundido o celular do jovem com uma arma de fogo.

A perícia identificou 27 ferimentos por disparos no corpo de Gustavo, que tratava um quadro de depressão. Em outro episódio na zona norte, Antonio Nunes Batista morreu após uma abordagem policial. Ele sofria de esquizofrenia e segurava uma faca.

Imagens gravadas por moradores mostram três agentes disparando 24 vezes, mesmo após o homem cair no asfalto. Já em 15 de outubro, Camila Pereira da Silva foi morta com um tiro no Parque São Domingos. A mulher caminhava pela rua com uma faca na mão.

Falta de equipamentos menos letais e gestão da força

O aumento na letalidade passa pela redução de investimentos em alternativas ao uso de armas de fogo pela Polícia de SP. A última licitação finalizada para compra de armas de eletrochoque começou na administração passada.

“Em nome de enfrentar o crime organizado, o uso da força passou a ser bastante tolerado”, explica Carolina Ricardo, representante do Instituto Sou da Paz. Ela defende a retomada urgente da supervisão do uso da força nas corporações paulistas.

O governo estadual argumenta que avalia a segurança de forma ampla, incluindo a produtividade das corporações. A Secretaria da Segurança Pública apontou um crescimento de 4,36% nas prisões e 12,83% na instauração de inquéritos nos oito primeiros meses de 2026.

A corporação afirma manter protocolos que priorizam a verbalização e o uso proporcional da força. A pasta planeja adquirir 6.000 novas tasers para equipar a Polícia de SP no atendimento de ocorrências envolvendo pessoas em surto.

  • Publicado: 29/10/2026 12:08
  • Alterado: 29/10/2026 12:08
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FolhaPress