Polícia de SP cumpre 22 mandados contra fraude na pandemia
Ação policial investiga esquema criminoso responsável por prejuízo de R$ 70 milhões aos cofres públicos em financiamentos na pandemia.
- Publicado: 03/09/2026 08:05
- Alterado: 03/09/2026 08:05
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
A Polícia Civil iniciou a segunda fase da Operação Avaritia nesta quinta-feira (3) para desarticular uma quadrilha acusada de desviar recursos públicos. Os agentes cumprem 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Rio de Janeiro. O grupo investigado fraudou financiamentos da agência de fomento Desenvolve SP entre 2021 e 2022.
O esquema criminoso causou um prejuízo estimado em R$ 70,4 milhões aos cofres estaduais. A corporação mobilizou cerca de 80 policiais civis e 27 viaturas para apreender documentos e dispositivos eletrônicos. O objetivo principal é rastrear o patrimônio dos envolvidos e identificar os beneficiários do montante desviado.
Investigações da Polícia expõem empresas laranjas
O inquérito revelou que os criminosos operavam a partir de Campinas utilizando pelo menos três companhias de fachada. Os golpistas falsificavam balanços financeiros para obter crédito liberado pelo governo estadual para combater os impactos econômicos da crise sanitária.
“A quadrilha se aproveitou de um contexto excepcional durante a pandemia, quando houve uma expansão emergencial do crédito para atender empresas que enfrentavam dificuldades e a transição para o trabalho remoto”, informou o documento oficial da agência estadual.
A denúncia partiu da própria Ouvidoria do órgão estadual em janeiro de 2022. Os indícios de irregularidades levaram a instituição a acionar o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e outras autoridades de controle. A força-tarefa da Polícia mantém as quebras de sigilo em andamento para preservar as próximas etapas probatórias.
Reestruturação e demissões na agência
As apurações internas confirmaram a participação de funcionários nas irregularidades financeiras. A direção do banco público determinou o desligamento de cinco colaboradores com envolvimento nos fatos ao longo das apurações, após resultados de auditorias forenses e processos administrativos disciplinares.
Os gestores alteraram a política de crédito e revisaram as diretrizes de prevenção à lavagem de dinheiro logo após a descoberta do esquema. As equipes internas passaram por treinamentos específicos voltados à segurança institucional para blindar o sistema de fomento contra novos ataques cibernéticos e contábeis.
Desdobramentos judiciais
A primeira fase ostensiva da ação ocorreu em outubro de 2023, quando a Polícia recolheu veículos de luxo, joias, celulares e computadores. Os peritos do instituto de criminalística analisaram esse material e fundamentaram os novos pedidos judiciais de busca executados nesta quinta-feira.
O compartilhamento contínuo de informações entre o banco, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) e a Controladoria Geral do Estado (CGE) garantiu o mapeamento estrutural do bando. A Polícia continuará periciando os novos materiais recolhidos hoje para responsabilizar criminalmente todos os integrantes do núcleo financeiro.