Polícia Civil cumpre mandados por desabamento de prédio

A Polícia Civil cumpriu mandados em SP e Guarujá na apuração sobre o desabamento na Penha, que causou seis mortes. Um homem foi preso

Crédito: Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta quinta-feira (24), a Operação Ponto de Ruptura para aprofundar as investigações sobre o desabamento de um prédio no bairro da Penha, na Zona Leste da capital. A tragédia deixou seis mortos. Durante a ação, agentes da Polícia Civil cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresas e suspeitos envolvidos no empreendimento imobiliário.

As diligências coordenadas pela Polícia Civil ocorreram na Zona Leste paulistana e também na cidade do Guarujá, no litoral paulista. O objetivo da ofensiva foi recolher novos elementos probatórios para determinar as responsabilidades criminais pela queda da estrutura.

Ao todo, 20 policiais participaram do cumprimento das ordens judiciais. As equipes apreenderam computadores, aparelhos celulares e diversos documentos, material que passará por análise pericial para instruir os inquéritos em andamento.

Polícia Civil - mandado

“Hoje foi mais uma etapa importante para o esclarecimento das circunstâncias que levaram ao desabamento. A partir dos elementos apreendidos e das diligências realizadas, vamos aprofundar a análise dos fatos e identificar as responsabilidades de cada envolvido, sempre com base nas provas reunidas durante a investigação”, declarou a delegada titular do 24° Distrito Policial, Deidiene Fialho Costa Éboli.

Prisões e investigados no caso do desabamento

A Justiça já decretou a prisão temporária de 30 dias para os três principais alvos apontados pela Polícia Civil. Até o momento, um homem considerado o sócio oculto de uma das construtoras responsáveis pela obra está detido. Os outros dois investigados — o filho do homem preso, que atuava como responsável técnico da edificação, e uma mulher, sócia das empresas — permanecem foragidos.

A decisão judicial que atendeu ao pedido da Polícia Civil fundamentou a necessidade das prisões devido à falta de colaboração espontânea dos suspeitos, que não prestaram esclarecimentos técnicos sobre a obra, além do risco iminente de fuga e de destruição de provas essenciais.

Paralelamente às ordens contra os empresários, a equipe de investigação colheu o depoimento de uma servidora pública municipal. Ela é investigada por ter atestado formalmente a demolição da estrutura pré-existente no terreno antes do início das novas construções. A equipe policial apura possíveis omissões ou condutas irregulares de engenheiros, fiscais e agentes públicos no processo de licenciamento e vistoria do imóvel.

Suspeitas de golpes na venda de apartamentos

Além de apurar a responsabilidade sobre as mortes decorrentes do acidente, a Polícia Civil conduz apurações sobre crimes financeiros e estelionato ligados às mesmas construtoras. Mais de dez compradores procuraram as autoridades para relatar prejuízos financeiros na aquisição de terrenos e unidades no local.

Atualmente, quatro inquéritos policiais tramitam no 10º Distrito Policial (Penha) dedicados exclusivamente às fraudes patrimoniais. De acordo com as análises preliminares da Polícia Civil, o empresário detido exercia papel central na compra do terreno e na comercialização dos imóveis, mesmo sem figurar formalmente nos contratos sociais. As apurações seguem para mapear o fluxo de caixa das obras e rastrear o total dos valores obtidos com as vítimas.

  • Publicado: 24/09/2026 14:32
  • Alterado: 24/09/2026 14:32
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Agência SP