Após polêmica, Flávio Bolsonaro ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida
O senador e o governador de SP ergueram a estátua no Centro da capital enquanto mantêm embate com a CNBB e desdobramentos no STF.
- Publicado: 28/09/2026 15:41
- Alterado: 28/09/2026 15:41
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante caminhada política no Centro da capital paulista nesta segunda-feira (28). A mobilização pública ocorreu em resposta direta à repercussão de boatos de que parlamentares conservadores teriam intenção de revogar o título da Padroeira do Brasil.
O gesto simbólico diante de apoiadores tentou conter desgastes eleitorais acumulados nos últimos dias. O objeto religioso foi entregue ao parlamentar por uma eleitora no meio da multidão. No instante em que as lideranças sustentavam o símbolo católico, uma apoiadora pediu publicamente para que as equipes de imprensa registrassem a cena para ampla divulgação.
Flávio Bolsonaro rebate acusações e cita posicionamento da CNBB

Durante a caminhada na região central, Flávio Bolsonaro declarou ter recebido com satisfação o posicionamento oficial emitido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O parlamentar afirmou que o documento divulgado pela entidade episcopal esclareceu que a suposta perda do título de padroeira do país se trata de uma notícia falsa fabricada no ambiente eleitoral.
“Eu estava esperando a nota da CNBB e saiu hoje. Foi muito boa a nota dela, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil é uma grande mentira, é a maior fake news dessa campanha”, afirmou o senador Flávio Bolsonaro.
O candidato voltou a responsabilizar integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) pela propagação das informações enganosas. No dia anterior, a liderança do PL havia declarado, sem apresentar provas documentais, que a oposição disseminou o boato com a colaboração de agentes internos da própria entidade católica. A instituição religiosa rejeitou prontamente qualquer envolvimento com estruturas de desinformação.
O atrito entre a candidatura do PL e a hierarquia católica ganhou intensidade após a entidade responder diretamente às acusações. Em nota oficial, o episcopado reforçou a autonomia pastoral da igreja e frisou que a mentira não se combate com outra mentira, repelindo acusações sobre suposta colaboração com estratégias partidárias.
Como começou essa polêmica?

A discussão pública ganhou dimensão após um comentário emitido no programa “Em Pauta“, do canal GloboNews, na última quinta-feira (24). Na ocasião, mencionou-se uma articulação na Igreja Católica em reação a setores evangélicos que estariam mobilizando um projeto de lei para alterar o status da padroeira. A emissora corrigiu a informação posteriormente e esclareceu que não existe proposta em andamento sobre o tema no Congresso Nacional.
A checagem dos registros do Poder Legislativo aponta que uma tentativa de alteração ocorreu em 2007, por iniciativa do então deputado federal Professor Victorio Galli. Aquele projeto pretendia limitar a expressão legal para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, contudo o texto acabou arquivado definitivamente em agosto de 2008. Rumores parecidos sobre o mesmo projeto arquivado já haviam sido desmentidos pelas agências de checagem na eleição de 2018.
Nas redes digitais, perfis opositores passaram a relacionar a candidatura do PL a medidas contrárias à devoção católica, fato que levou a disputa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral exigindo a remoção imediata de publicações e conteúdos opinativos ou satíricos vinculados ao assunto.
O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, concedeu decisão liminar determinando a retirada de postagens relacionadas ao episódio, incluindo publicações feitas pelo humorista Antonio Tabet. Contudo, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu os efeitos dessa medida e restabeleceu a veiculação do conteúdo, sustentando a necessidade de proteger a liberdade de expressão e a ausência de citação nominal direta ao candidato na postagem contestada.
A equipe jurídica do parlamentar recorreu da decisão monocrática no Supremo nesta segunda-feira (28), solicitando o restabelecimento da ordem de remoção concedida anteriormente. Diante do pedido de reavaliação, o relator encaminhou o caso para referendo do plenário do STF, cabendo ao conjunto dos ministros definir a manutenção ou a derrubada das restrições.
Nota da CNBB
Em resposta às declarações que envolveram a instituição episcopal no debate político, a direção da igreja divulgou o posicionamento oficial assinado pela sua liderança:
“Diante de informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esclarecemos:
A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral.
A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.
A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.
Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.
A CNBB reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.”
O cenário eleitoral na capital paulista segue influenciado pelos desdobramentos do debate religioso e das decisões no meio judicial. Com a remessa do processo ao colegiado do STF e os atos públicos com símbolos religiosos nas ruas, a equipe de Flávio Bolsonaro busca neutralizar ruídos sobre a pauta de costumes e consolidar apoios no eleitorado católico.