Pneumonia cresce 22% no frio e acende alerta em SP

Com alta nos óbitos, infectologista alerta para pneumonia silenciosa e reforça a importância da vacinação

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Com a chegada dos meses de baixas temperaturas, os hospitais e unidades de pronto-atendimento registram um aumento expressivo nas internações por complicações respiratórias. O avanço da pneumonia acende o alerta das autoridades de saúde: dados do Ministério da Saúde apontam que, entre janeiro e maio de 2026, foram registrados 103 mil óbitos decorrentes da doença no Brasil, um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Especialistas alertam que, embora o frio não seja a causa direta da infecção, o confinamento em ambientes fechados favorece a circulação de vírus respiratórios, que funcionam como porta de entrada para quadros pulmonares graves.

Frio, Aglomeração e Agentes Infecciosos

Pneumonia
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A pneumonia caracteriza-se pela inflamação das estruturas pulmonares responsáveis pelas trocas gasosas. Ao ficarem inflamados, os alvéolos se enchem de líquido e secreções, dificultando a oxigenação do sangue.

A infectologista e docente do curso de Medicina do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Dra. Tânia Lossavaro, esclarece a relação entre a estação fria e a doença:

“O frio não provoca pneumonia diretamente. O que observamos é um aumento da circulação de vírus respiratórios que favorecem o desenvolvimento da doença, especialmente em pessoas mais vulneráveis”, explica a médica.

A doença pode ser provocada por diferentes agentes:

  • Bactérias: São as principais responsáveis pelos quadros mais severos, destacando-se o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), além de Haemophilus influenzae, Mycoplasma pneumoniae e Legionella pneumophila;
  • Vírus: Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus e SARS-CoV-2;
  • Fungos: Ocorrências mais raras, afetando principalmente pacientes imunossuprimidos ou com comorbidades crônicas.

“Os rinovírus, a influenza e outros agentes respiratórios frequentemente funcionam como porta de entrada para infecções bacterianas secundárias. É por isso que uma gripe mal evoluída pode se transformar em uma pneumonia”, complementa a infectologista.

Perigo da “Pneumonia Silenciosa” em Crianças e Idosos

Pneumonia
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Um dos quadros mais preocupantes é a chamada “pneumonia silenciosa” ou “pneumonia muda”. A condição não se manifesta com os sintomas clássicos de febre alta, falta de ar intensa ou tosse carregada, apresentando sinais muito mais sutis.

Os pacientes podem apresentar apenas cansaço, indisposição, perda de apetite, sonolência ou uma tosse leve. Em idosos, os sinais podem incluir confusão mental, fraqueza repentina e queda no estado geral de saúde.

Crianças menores de 5 anos (com sistema imunológico em desenvolvimento) e idosos (com redução natural da imunidade) formam os grupos de maior risco para hospitalizações e complicações severas.

Sinais de Alerta para Buscar Atendimento

Fique atento aos sintomas mais frequentes da doença:

  • Gerais: Febre, tosse persistente com ou sem secreção, dor no peito ao respirar, calafrios, falta de ar e cansaço extremo;
  • Em Crianças: Dificuldade para respirar, irritabilidade, recusa para se alimentar e prostração;
  • Em Idosos: Confusão mental, apatia, sonolência excessiva e fraqueza sem causa aparente.

Vacinação e Prevenção

Apesar do alto índice de internações, a pneumonia pode ser amplamente prevenida por meio da imunização. A vacina contra o pneumococo está disponível no SUS para crianças nos primeiros meses de vida e para idosos ou pessoas com condições de risco via indicação médica.

Além disso, manter em dia as vacinas anuais contra a Gripe (Influenza) e Covid-19 é fundamental para evitar infecções virais que abrem caminho para a pneumonia.

“Nem toda pneumonia começa de forma dramática. Muitas vezes, ela surge após uma gripe ou resfriado que parecia inofensivo. Reconhecer os sinais precocemente, manter a vacinação em dia e procurar avaliação médica diante da persistência dos sintomas são medidas capazes de evitar complicações e salvar vidas”, conclui a Dra. Tânia Lossavaro.

Medidas de higiene diária, como manter os ambientes bem ventilados, lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas gripadas, complementam as barreiras de proteção no inverno.

  • Publicado: 23/07/2026 21:43
  • Alterado: 23/07/2026 21:43
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria