Plenária especial 50 anos CIESP SBC

Carlos Pastoriza, ex-diretor da entidade, lembra os riscos da desindustrialização

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Nesta terça-feira, dia 24 de abril, o CIESP SBC realizou a plenária especial em comemoração aos 50 anos de história da entidade.

Para celebrar a data o palestrante convidado foi Carlos Pastoriza, fundador da ABIMDE – Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança e atual Diretor Secretário da ABIMAQ. Pastoriza também foi CEO da Foster Imaden (até 2000), Diretor Titular do CIESP SBC de 1990 até 1998 e Diretor CIESP-SP de 2004 a 2008.

Hitoshi Hyodo, Diretor Titular do CIESP SBC e Mauro Miaguti, 1º vice diretor da entidade e vereador e Cláudio Barberini Júnior, 2º vice-diretor lembraram que a escolha de Pastoriza foi uma forma de homenagear um grande empresário que esteve á frente do CIESP SBC por quase 10 anos, realizando um importante trabalho. “Quando pensamos nos 50 anos do CIESP automaticamente pensamos no Pastoriza. Quando entrei na FIESP fui designado a vir para São Bernardo, coordenar o NJE e aqui fui recepcionado por ele e sua diretoria. Esse convite é uma forma de agradecer a atenção e dedicação dada ao grupo que desde então vem formando grandes lideranças.”

Carlos Pastoriza iniciou a palestra falando sobre a importância do movimento chamado Grito de Alerta pela indústria e pelo emprego que aconteceu no dia 4 de abril unindo, pela primeira vez, empresários e trabalhadores. Para ele iniciativas como a da Caixa Econômica Federal ao reduzir os juros já são conquistas desse movimento: “O Grito de Alerta mostrou o amadurecimento da classe empresarial, mas não pode parar ai.”, afirmou.

Pastoriza lembrou que nos primeiros 20 anos do CIESP SBC o país vivia sob a ditadura e que isso refletia nas instituições. “Os empresários demoraram para se libertar da ditadura. Lembro que quando assumi a diretoria do CIESP SBC tinha acabado de ser decretada a nova Constituição Brasileira. Quando ela foi aprovada os empresários acordaram porque as leis iam arrebentar o país e as empresas; o sistema tributário e trabalhista era complicado, muitas coisas que poderiam ser negociadas se tivesse havido a participação empresarial, ficaram engessadas na Constituição. Foi então que começamos a nos engajar, foi o nascedouro do movimento empresarial mais proativo.”

Em sua palestra, Carlos Pastoriza traçou um panorama da situação política e econômica que o CIESP SBC tem enfrentado nesses 50 anos de história, desde as iniciativas do ex-presidente Juscelino Kubitschek que colaboraram com a vinda de grandes multinacionais para São Bernardo do Campo; passando pelo Plano Color, Plano Cruzado e Plano Real, até os dias de hoje, com a o risco da desindustrialização rondando o país.

“Não sou pessimista, o Brasil está realmente crescendo, a situação macroeconômica está boa, mas extremamente frágil. O país, para manter essa situação calma, está dependendo da demanda da China. A indústria de transformação brasileira, que era equilibrada, ano passado deu 80 bilhões de dólares de déficit. Se der um “resfriado” na China, nós vamos pegar uma “pneumonia”… Se nada for feito a bomba relógio da desindustrialização vai estourar daqui há alguns anos… O grande risco que o país está correndo, dentro de uma série de oportunidades, é inviabilizar o crescimento se destruirmos a indústria de transformação.”

Em seguida Pastoriza lançou alguns alertas com os quais, através da ABIMAQ, tem feito palestras com o tema “Brasil – Potência ou Colônia?”, levando a reflexão inclusive aos políticos.

Segundo levantamento 75% da soja produzida no país é destinada ao mercado externo, mas as exportações de derivados caem ano a ano. Outro exemplo citado foi o do café: “O Brasil é o maior produtor mundial e exportador de grãos de café, mas o maior exportador de café industrializado é a Alemanha, que não possuí um pé de café.”

No final de sua apresentação, Pastoriza cobrou coragem por parte do Governo: “Temos que ter coragem. Temos como nos transformar em potência, não colônia, o que a indústria brasileira de transformação precisa é de condições de isonomia, com a queda dos juros. O Governo deve ter a coragem de colocar um câmbio minimamente realista, a carga de impostos precisa ser revista. Temos que ser um país rico e independente.”

Em suas considerações finais Mauro Miaguti cobrou maior participação dos empresários: “Parabenizo o Pastoriza pela apresentação que deixa uma grande reflexão sobre o momento que estamos passando. Acho que precisamos sim nos mobilizar ainda mais, essa convocação que o Pastoriza faz a sociedade tem que ir mais além da rodinha de amigos, vivemos um momento crítico, tudo está acontecendo sob nossos olhos, com o nosso conhecimento, mas sem a nossa participação. A mobilização de empresários e sindicatos no último dia 4 foi de extrema importância, mas é preciso mais. Algo precisa ser feito, uma movimentação forte. Fica um grande alerta.”

Hitoshi Hyodo lembrou a importância da participação política e associativa: “Ressalto a importância da participação política e associativa. Convido todos a participarem do CIESP SBC bem como a conhecer os projetos desenvolvidos pelo Mauro na Câmara Municipal. À partir da união e da participação de todos conseguiremos realizar as mudanças necessárias.”

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  • Publicado: 25/04/2012 17:08
  • Alterado: 25/04/2012 17:08
  • Autor: Redação
  • Fonte: CIESP SBC