PF tenta prender irmãos de ministro
A Polícia Federal tenta cumprir hoje mandado de prisão de dois irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller, na Operação Terra Prometida
- Publicado: 27/11/2014 14:49
- Alterado: 16/08/2023 09:21
- Autor: Redação ABCdoABC
- Fonte: Estadão Conteúdo
A operação, deflagrada nesta manhã para combater esquema de venda ilegal de lotes distribuídos por meio de reforma agrária no Estado de Mato Grosso.
A assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura informou que o ministro está em viagem ao exterior representando o vice-presidente da República, Michel Temer, e, por enquanto, não poderá se pronunciar sobre o assunto.
A assessoria informou que não tem detalhes da ação da PF contra os irmãos de Geller.
Segundo a PF, com o objetivo de se obter a reconcentração fundiária de terras da União destinadas à reforma agrária, fazendeiros, empresários e grupos do agronegócio faziam uso de sua influência e poder econômico para aliciar, coagir e ameaçar parceleiros para obter, ilegalmente, deles lotes de 100 hectares, cada um avaliado em cerca de R$ 1 milhão.
Estima-se que 80 fazendeiros fazem parte do esquema. A fraude pode alcançar o montante de R$ 1 bilhão, em valores atualizados. “Com ações ardilosas, uso da força física e até de armas, compravam a baixo preço ou invadiam e esbulhavam a posse destas áreas.
Em seguida, com o auxílio de servidores corrompidos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), integrantes de entidades de classe, servidores de Câmaras de Vereadores e de Prefeituras Municipais buscavam regularizar a situação do lote”, diz a PF em nota sobre a operação.
A PF informou que foram emitidos pela Justiça Federal 52 mandados de prisão preventiva, 146 de busca e apreensão e 29 de medidas proibitivas, nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde, todos em Mato Grosso.
Há investigados também nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A operação, que conta com cerca de 350 policiais federais, investiga crimes de invasão de terras da União, contra o meio ambiente, fraudes em documentos, e corrupção ativa e passiva.
O inquérito foi instaurado em 2010 e, entre os alvos, estão oito servidores públicos.