PF e Ibama desarticulam garimpo na TI Baú no Pará
Com destruição de maquinário pesado e balsas, operação da PF e do Ibama combate garimpo ilegal na Terra Indígena Baú
- Publicado: 02/08/2026 09:11
- Alterado: 02/08/2026 09:11
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo Federal
A Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Força Nacional de Segurança Pública e do Centro de Cooperação Internacional da Amazônia (CCPI), deflagraram uma operação de desintrusão e combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Baú, no sudoeste do Pará. A ação ocorreu entre os dias 28 e 31 de julho de 2026 em áreas remotas da floresta amazônica, na divisa entre os municípios de Novo Progresso e Castelo dos Sonhos.
A mobilização teve como objetivo interromper a exploração clandestina de minérios, paralisar a degradação ambiental e conter os prejuízos sanitários e sociais impostos às populações originárias da região.
Inutilização de Maquinários e Apreensões
Durante as incursões em pontos isolados da mata, as equipes de fiscalização localizaram e inutilizaram estruturas de grande porte utilizadas na extração ilícita de minérios:
- Maquinário Pesado: Inutilização de duas pás-carregadeiras;
- Balsas e Motores: Destruição de dois motores de dragagem em balsas (incluindo conjunto de bomba e motor), um motor de quatro tempos e um gerador de energia;
- Logística de Combustível: Inutilização de um tanque com capacidade para 1.000 litros e diversos galões de combustível;
- Estrutura de Apoio: Destruição de dois acampamentos clandestinos e apreensão de duas motosserras pelo Ibama.
A destruição de bens e equipamentos empregados no garimpo ilegal é amparada pela legislação ambiental brasileira (Decreto Federal nº 6.514/2008). O procedimento é adotado de forma excepcional quando há impossibilidade logística de remoção do maquinário das áreas de proteção ambiental, evitando que o ferramental seja reutilizado pela atividade criminosa.
Impacto nos Rios Curuá e Curuaés
A operação foi desencadeada no âmbito de um inquérito policial que apura denúncias de mineração não autorizada em territórios protegidos da União. Levantamentos técnicos e relatórios de inteligência indicaram a persistência de dragas e maquinário pesado operando às margens dos rios Curuá e Curuaés.
A poluição hídrica decorrente do garimpo atinge diretamente o ecossistema aquático, afetando a pesca artesanal e a segurança alimentar das comunidades indígenas Kayapó que habitam a Terra Indígena Baú. A contaminação por mercúrio e o assoreamento dos leitos dos rios trazem desdobramentos sanitários e ambientais graves para o bioma.
A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem para identificar os financiadores, arrendatários de máquinas, receptadores do minério extraído e demais integrantes da cadeia do garimpo ilegal.