Petróleo sobe mais de 3% em meio a conflito no Irã

Escalada de conflitos no Oriente Médio e sanções dos EUA fazem o preço do petróleo disparar no mercado global nesta semana

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O preço do petróleo subiu mais de 3% nesta quinta-feira (20), chegando próximo dos US$ 95 por barril durante a sessão. A alta ocorreu em meio à intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã e aos novos ataques atribuídos ao grupo houthi contra alvos na Arábia Saudita.

O barril de petróleo Brent, referência internacional, atingiu a máxima de US$ 94,71 por volta das 9h15 (horário de Brasília), uma valorização de 3,37%. A cotação estava próxima de US$ 92 durante a madrugada, mas começou a avançar gradualmente a partir das 3h.

Ao final do pregão, o Brent encerrou cotado a US$ 93,24, com alta de 1,77%, segundo os dados apresentados. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, terminou o dia em US$ 86,28, avanço de 2,24%. Dados da Reuters apontaram fechamento do Brent a US$ 93,78, com alta de 2,4%, e do WTI a US$ 87,83, também em alta.

Ameaças de Trump pressionam mercado

A valorização do petróleo ocorreu principalmente após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano ameaçou impor fortes consequências econômicas a países, empresas e instituições que oferecerem apoio ao Irã.

Trump afirmou que qualquer país que permita que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam algum tipo de apoio considerado vital a Teerã poderá sofrer represálias econômicas. A declaração amplia a pressão de Washington sobre o regime iraniano e aumenta a preocupação dos investidores com uma possível interrupção no fluxo de energia no Oriente Médio.

A nova ofensiva faz parte da estratégia de pressão econômica adotada pelos Estados Unidos contra o Irã. Trump também vem pressionando pela reabertura do Estreito de Hormuz, importante rota para o transporte internacional de petróleo e gás. O tráfego pela passagem marítima já foi reduzido significativamente em meio à escalada militar e às ameaças de novos ataques.

Irã reage às ameaças

O governo iraniano reagiu às declarações de Trump. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, classificou a estratégia norte-americana como uma política fracassada e afirmou que a pressão de Washington não fará Teerã recuar.

A reação ocorre em um momento de forte deterioração das relações entre os dois países. O impasse em torno do Estreito de Hormuz transformou a região em um dos principais pontos de preocupação para o mercado internacional de energia.

Para os investidores, qualquer nova escalada militar ou restrição ao transporte de petróleo pela região pode reduzir a oferta global e provocar novas altas nos preços da commodity.

Ataques houthis aumentam preocupação

Além das ameaças entre Estados Unidos e Irã, o mercado também reagiu a novos ataques atribuídos aos houthis, grupo aliado de Teerã.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, dois drones teriam atacado alvos na cidade de Najran, na Arábia Saudita. Os houthis afirmaram que os ataques atingiram o aeroporto e uma instalação da petrolífera Aramco. O governo saudita não havia confirmado imediatamente os danos.

A possibilidade de novos ataques contra instalações de energia aumenta a preocupação sobre a segurança da produção e do transporte de petróleo na região. Nas últimas semanas, ataques e ameaças contra navios e estruturas ligadas ao setor energético já vinham pressionando as cotações.

Estreito de Hormuz é ponto estratégico

O Estreito de Hormuz permanece no centro da crise. A passagem marítima é considerada estratégica para o mercado global de energia, e a redução do tráfego de embarcações já afeta o transporte de petróleo e gás.

O Irã utiliza o controle sobre a região como uma importante ferramenta de pressão contra os Estados Unidos. Washington, por sua vez, tenta ampliar a pressão econômica sobre Teerã e garantir o fluxo de embarcações pelo estreito.

A possibilidade de uma interrupção mais ampla no transporte é justamente um dos fatores que sustentam a alta do petróleo. O mercado passou a incorporar um prêmio de risco maior diante da possibilidade de que a crise se prolongue.

Economia iraniana enfrenta pressão

Enquanto a tensão geopolítica aumenta, a economia do Irã enfrenta dificuldades provocadas por anos de sanções internacionais e pela guerra.

A inflação acumulada em 12 meses chegou a 66% em julho, enquanto a moeda iraniana continuou se desvalorizando. O cenário aumenta a pressão sobre as famílias e sobre o governo de Teerã.

A resposta das autoridades inclui a defesa da chamada “economia da resistência”, conceito criado pelo líder supremo iraniano Ali Khamenei para incentivar a redução da dependência econômica em relação a outros países.

A crise, porém, ultrapassa as fronteiras do Irã. Com ataques e ameaças envolvendo países produtores e rotas estratégicas, o conflito mantém o mercado internacional de petróleo em alerta e aumenta o risco de novas altas caso a instabilidade no Oriente Médio se intensifique.

  • Publicado: 20/08/2026 22:11
  • Alterado: 20/08/2026 22:11
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress