Petróleo sobe com impasse entre EUA e Irã no Oriente Médio

Mercado do petróleo reage à frustração com negociações e teme impacto global

Crédito: Campo de Garoupa na Bacia de Campos, RJ/divulgação Petrobras

Os preços do petróleo iniciaram a semana em alta após um novo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, ampliando as incertezas no mercado global de energia. A frustração com a ausência de avanços diplomáticos elevou as cotações e reforçou o temor de prolongamento da crise no Oriente Médio.

Negociações frustradas pressionam mercado

A expectativa de retomada das negociações entre Washington e Teerã não se concretizou no fim de semana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou o envio de representantes norte-americanos a Islamabad, no Paquistão, interrompendo uma possível nova rodada de diálogos.

Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi havia mantido reuniões com autoridades paquistanesas, mas a ausência dos enviados americanos representou um revés significativo. A decisão aumentou a percepção de risco entre investidores, que aguardavam sinais de distensão no conflito iniciado há cerca de dois meses.

Preço do Brent avança e amplia ganhos

Com o cenário de incerteza, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, registrou alta de 2,2% na abertura, sendo cotado a US$ 107,6 por barril nos contratos de junho. Na sexta-feira anterior, o fechamento já indicava valorização, a US$ 105,33, acumulando ganhos superiores a 16% na semana.

Os contratos para julho também avançaram, sendo negociados a cerca de US$ 101,37. O movimento reflete o receio de que os gargalos na oferta de energia persistam por mais tempo, pressionando ainda mais os preços.

Conflito e bloqueios impactam oferta global

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o mercado energético enfrenta restrições relevantes. Um dos principais fatores é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitava cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural.

O bloqueio reduziu drasticamente o tráfego marítimo na região, com queda de aproximadamente 95%. A medida elevou os preços internacionais, que acumulam alta de cerca de 40% desde o período anterior à guerra, quando o barril era negociado próximo de US$ 72.

Além disso, ações militares e sanções intensificaram a tensão. O Comando Central dos Estados Unidos informou a interceptação de embarcações suspeitas de transportar petróleo iraniano, ampliando o controle sobre rotas marítimas no Mar Arábico.

Divergências dificultam acordo

As negociações enfrentam entraves importantes. Entre os principais pontos de discordância estão o destino do estoque de urânio enriquecido do Irã, o futuro do programa nuclear do país e o controle do Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas afirmaram que não haverá diálogo enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio a portos iranianos. Já o governo norte-americano adota uma postura mais rígida, indicando que só retomará negociações em condições consideradas favoráveis.

Impactos econômicos e pressão inflacionária

A escalada nos preços do petróleo já provoca reflexos diretos na economia global. Nos Estados Unidos, o preço dos combustíveis subiu significativamente, pressionando consumidores e aumentando o custo de vida.

O cenário também influencia decisões de política monetária. Nesta semana, tanto o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, quanto o Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, devem se reunir para definir taxas de juros, em meio ao aumento das pressões inflacionárias.

A continuidade do conflito e a ausência de um acordo diplomático mantêm o mercado em alerta, com potencial de novos aumentos nos preços da energia e impactos prolongados sobre a economia global.

  • Publicado: 26/04/2026 20:06
  • Alterado: 26/04/2026 20:06
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPresd