Petróleo abre em queda com tensão entre EUA e Irã no radar
Declarações de Trump e decisão da Opep+ influenciam mercado global do petróleo
- Publicado: 03/05/2026 21:05
- Alterado: 03/05/2026 21:05
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O preço do petróleo iniciou este domingo (3) em queda no mercado internacional, em meio à repercussão das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã sobre o conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência global, chegou a ser cotado a US$ 106,03, recuo de aproximadamente 1,97%. Ao longo da noite, os preços oscilaram e fecharam perto da estabilidade, em torno de US$ 107,56.
A movimentação ocorre após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou a possibilidade de revisar a proposta apresentada pelo Irã para encerrar o conflito. O republicano também mencionou a hipótese de retomada de ataques, o que aumentou a cautela entre investidores.
Proposta de paz e risco de novos confrontos
Na última sexta-feira (1º), o petróleo já havia registrado queda após o Irã anunciar o envio de uma nova proposta de paz aos EUA, mediada pelo Paquistão. Apesar disso, sinais de possível escalada militar voltaram a pressionar o mercado.
Segundo autoridades iranianas, há expectativa de retomada das hostilidades caso a proposta não seja aceita. O governo paquistanês confirmou o envio do documento aos norte-americanos, mas não divulgou detalhes do conteúdo.
Estreito de Ormuz segue como ponto crítico
A tensão também impacta diretamente o fluxo global de petróleo. O estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, segue com restrições.
Os Estados Unidos bloquearam o tráfego de embarcações na região no início de abril, enquanto o Irã também tem imposto limitações desde o fim de fevereiro, após o início dos ataques. Mais de 40 navios já teriam sido impedidos de cruzar a área, afetando o abastecimento global.
Opep+ sinaliza aumento gradual da produção
Em paralelo, a Opep+ anunciou neste domingo um aumento modesto na produção de petróleo para junho, de 188 mil barris por dia. Este é o terceiro ajuste consecutivo, mantendo o mesmo ritmo de expansão adotado no mês anterior, com exceção da participação dos Emirados Árabes Unidos, que deixaram o grupo em maio.
Analistas avaliam que a decisão busca demonstrar estabilidade e capacidade de resposta do cartel, mesmo diante das incertezas geopolíticas. Parte desse aumento, no entanto, pode não se concretizar plenamente enquanto persistirem as interrupções no fornecimento provocadas pelo conflito.
Mercado atento aos próximos desdobramentos
O cenário permanece sensível a declarações políticas e avanços diplomáticos. Investidores acompanham de perto os próximos passos das negociações entre Washington e Teerã, além de possíveis mudanças no fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz.
A combinação entre fatores geopolíticos e decisões de produção deve continuar influenciando o comportamento dos preços no curto prazo.