PEC 6x1 tem votação mantida no Senado antes do 2º turno
Oposição articula nos bastidores para atrasar a tramitação da proposta. Davi Alcolumbre resiste à pressão e garante o rito normal da Casa
- Publicado: 07/10/2026 21:32
- Alterado: 07/10/2026 21:34
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Folha Press
O Senado Federal confirmou a tramitação normal da PEC 6×1. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) barrou as tentativas da oposição de transferir a análise do texto para depois do segundo turno das eleições. O presidente da Casa sinalizou a primeira rodada de votações para a próxima quinta-feira.
Por que a PEC 6×1 assusta a oposição?

O calendário eleitoral dita o ritmo em Brasília. Senadores do PL, PP e Republicanos avaliam que aprovar o fim da jornada semanal de 44 horas beneficia diretamente o presidente Lula. No primeiro turno, o petista obteve 2,3 milhões de votos a menos que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Não afeta o Flávio, mas ajuda o Lula”, afirmou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Ela entende que o atual cenário eleitoral contamina o debate técnico. A base oposicionista da PEC 6×1, contudo, descarta manobras de obstrução no plenário. O senador Wellington Fagundes (PL-MT) reforça que o bloco deve votar majoritariamente a favor da mudança.
Tramitação e quebra de interstício
O regimento do Senado exige duas votações com cinco sessões de discussão prévias. O intervalo padrão demanda cinco dias úteis entre os turnos.
A base governista manobra para acelerar esse calendário. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) busca 41 assinaturas para protocolar um requerimento de calendário especial. Esse dispositivo permite a quebra de interstício, viabilizando a aprovação final em um único dia.
“Se aparecer um requerimento na mesa para quebrar o interstício após a votação de primeiro turno, vou submeter ao voto”, garantiu Davi Alcolumbre.
Flávio Bolsonaro acusa Planalto de oportunismo
O acirramento político tomou conta das declarações públicas. Flávio Bolsonaro consolidou o apoio do PP e do União Brasil para o pleito estadual, mas subiu o tom contra o governo federal.
O senador classifica a votação da PEC 6×1 neste momento como um ato eleitoreiro. Ele argumenta que o Executivo ignora alternativas estruturais de alívio econômico.
A visão da oposição sobre a jornada de trabalho foca em pontos específicos:
- Liberdade de acordo individual entre o setor patronal e o empregado.
- Modelos de remuneração calculados rigorosamente por horas trabalhadas.
- Proteção legal para categorias submetidas a regimes especiais contínuos.
O que muda com o texto atual da proposta
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou o comando do Senado sobre o engessamento das escalas. A parlamentar busca margem de manobra para modificar trechos da matéria sem travar a tramitação principal.
O projeto altera a espinha dorsal do mercado de trabalho. O texto estabelece uma transição gradual e proíbe terminantemente qualquer redução salarial.
O cronograma de implementação define as seguintes fases:
- Primeira etapa: Redução para 42 horas semanais, válida 60 dias após a promulgação.
- Segunda etapa: Teto de 40 horas semanais definitivas, aplicado 12 meses depois.
- Descanso: Duas folgas semanais obrigatórias, sendo uma preferencialmente aos domingos.
A Câmara dos Deputados chancelou a matéria em maio. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o relatório em setembro. Agora, os parlamentares realizam o teste final no plenário, definindo o impacto histórico da PEC 6×1 na legislação trabalhista do Brasil.