Pé diabético será tema de sensibilização no Hospital Anchieta

Tecnologia inédita utiliza luz na redução de amputações.

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O Centro de Tratamento do Pé Diabético do Hospital Anchieta
organiza nesta quarta-feira (13 de março) encontro com as equipes médicas, de
enfermagem, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e de nutrição. Agendada
entre 9h e 11h no Anfiteatro do HA, a reunião servirá para apresentar cerca de
50 casos de pé diabético tratados com técnica pioneira desenvolvida na própria
unidade: a terapia fotodinâmica.

Graças ao trabalho, 17 entre 18 pacientes encaminhados com
infecções severas nos membros inferiores foram poupados de amputações. Eram
todos casos extremos, em que a ação medicamentosa praticamente não fazia efeito
e que a retirada dos dedos – ou até mesmo de todo o pé – seria a principal
opção.

Sob comando do cirurgião vascular e coordenador do Centro de
Tratamento do Hospital Anchieta, Dr. João Paulo Tardivo, o evento no Anchieta
contará com as palestras “Fototerapia dinâmica no tratamento de pé diabético e
feridas” e “Critérios para indicação de amputação no tratamento do pé
diabético”. O objetivo da ação é sensibilizar o corpo clínico para a nova
técnica aplicada no hospital, a fim de que a identificação de casos e a
classificação segundo a gravidade sejam mais ágeis, garantindo maior
possibilidade de cura e reduzindo taxas de amputação.

Segundo dados da Federação Nacional de Associações e
Entidades de Diabéticos, cerca de 50 mil diabéticos sofrem amputações
anualmente. “Em geral, a falta de sensibilidade nos pés faz com que os
pacientes demorem a procurar atendimento. Pequenos cortes podem se transformar em
infecções graves, que penetram no organismo até chegar ao tecido ósseo,
caracterizando quadro de osteomielite”, detalha Dr. João Paulo Tardivo.

Fototerapia pioneira:
A partir de tecnologia desenvolvida pelo próprio Dr. Tardivo, o Anchieta passou
a oferecer a terapia fotodinâmica, que utiliza a luz como base para o
tratamento. A maioria dos pacientes chega com feridas abertas nos pés, bastante
infeccionadas e que não cicatrizam mesmo após meses de tratamento com
antibióticos. A fototerapia começa com introdução de um cateter pela ferida
chegando até o osso comprometido. Por esse cateter é injetada solução azulada e
sensível à luz, irrigando a região a ser tratada. Pela mesma ferida é inserido
pequeno cabo de fibra ótica, cuja ponta acende e irradia luz ao pé de dentro
para fora. “A molécula fotossensível azul capta a energia da luz e leva para
dentro da célula doente, onde há oxigênio. Dessa mistura formam-se radicais
livres que destroem a célula, combatendo a infecção”, explica Dr. Tardivo. Após
o fechamento da ferida, a região continua a ser iluminada, porém externamente
com lâmpadas de LED.

Inaugurado em março de 2011, o Centro de Tratamento do Pé
Diabético funciona duas vezes por semana e está vinculado ao Grupo de Cirurgia
Vascular e à Faculdade de Medicina do ABC. A equipe conta com profissionais das
áreas de cirurgia vascular, endocrinologia, ortopedia, enfermagem, psicologia e
podologia. Os pacientes são encaminhados pela rede pública municipal. “Também
oferecemos suporte educacional e orientações sobre higiene, muito importantes
para prevenção de novas infecções. Já são mais de 90 pacientes atendidos. Nos
18 casos graves de osteomielite que conseguimos tratar e acompanhar, obtivemos
quase 100% de sucesso, preservando 17 pacientes da amputação de membros”,
comemora o coordenador.

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  • Publicado: 12/03/2013 12:24
  • Alterado: 12/03/2013 12:24
  • Autor: Eduardo Nascimento
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