Investigação aponta que PCC lucra bilhões com empresas e contratos
Investigações do MPSP revelam que o PCC atua em transporte, combustíveis, jogos e contratos públicos, movimentando até R$ 10 bilhões por ano
- Publicado: 05/01/2026 13:14
- Alterado: 05/01/2026 13:14
- Autor: Redação
- Fonte: PCC
Nos últimos anos, autoridades intensificaram a investigação sobre a infiltração de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em diversos setores econômicos, de pequenos negócios a grandes empresas. As evidências apontam para a atuação do crime organizado em franquias, empresas que prestam serviços ao poder público e atividades ilegais na Amazônia e no interior paulista.
Frequentemente, a contaminação financeira ocorre via lavagem de dinheiro, com empresas funcionando como fachadas para ocultar a origem ilícita de lucros. Recentes investigações indicam, porém, que membros do PCC têm investido recursos provenientes do tráfico e de outros crimes em negócios legítimos.
Promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirmam que a facção pode faturar até R$ 10 bilhões ao ano, com investimentos em transporte público e usinas sucroalcooleiras, conforme revelado pela Operação Carbono Oculto.
O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco, explicou em audiência na CPI do Crime Organizado que a facção está presente em todas as etapas da produção de combustíveis no país.
Principais fontes de renda da facção

Tráfico de drogas
O PCC se consolidou como um dos maiores grupos de tráfico da América do Sul. Lojas e rotas de cocaína conectam países andinos à Europa e África. Desde 2016, após a morte de Jorge Rafaat Toumani no Paraguai, a facção domina rotas que passam pelo Mato Grosso do Sul e interior paulista, acelerando sua expansão internacional.
Há também atuação na rota do Solimões, com colaboração entre PCC e Comando Vermelho, transportando drogas até Manaus, incluindo voos de helicóptero em baixa altitude durante a estação seca para evitar radares.
Jogos de azar
Máquinas de caça-níqueis e casas de apostas ilegais em Santos e na região metropolitana geraram operações como Spare e Falso Mercúrio, revelando lavagem de dinheiro em concessionárias de veículos de luxo e bloqueio judicial de mais de R$ 6 bilhões.
Golpes virtuais
Fraudes financeiras via telefone e internet também estão entre as atividades da facção. Em dezembro de 2023, 24 pessoas foram presas em um escritório no centro de São Paulo vinculado ao PCC.
Infiltração em transporte e contratos públicos
Transporte por ônibus
O PCC tinha participação na empresa UPBus, responsável pelo transporte municipal na capital. A Operação Fim da Linha mostrou a manipulação de licitações públicas por meio de advogados e empresas fictícias.
Contratos públicos
Vagner Borges Dias, conhecido como Latrell Brito, foi condenado por liderar fraudes em licitações públicas vinculadas ao PCC, garantindo contratos superfaturados. O Gaeco identificou ainda vínculos com serviços essenciais, como saúde e coleta de lixo na região metropolitana.
Controle de combustíveis e lojas de conveniência
A Operação Carbono Oculto revelou que a facção controla toda a cadeia produtiva de combustíveis no Brasil, incluindo portos e usinas. Postos sob influência da organização adulteravam bombas para enganar consumidores, enquanto lojas de conveniência associadas serviam para lavagem de dinheiro, envolvendo inclusive indivíduos já condenados por tráfico.
As investigações continuam com o objetivo de desarticular essa complexa rede criminosa, que combina negócios legais e ilegais para maximizar lucros e expandir a influência do PCC no país.