Paul McCartney relembra período após fim dos Beatles
Paul McCartney relembra dificuldades após o fim dos Beatles, quando passou a beber e precisou encontrar um novo caminho na carreira
- Publicado: 30/09/2026 21:54
- Alterado: 30/09/2026 21:54
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O cantor Paul McCartney, de 84 anos, relembrou o período vivido após o fim dos Beatles, em 1970, e comparou a separação da banda a ser demitido do único emprego que havia conhecido. O músico contou que enfrentou uma fase difícil ao tentar descobrir como seguir profissionalmente sem John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.
A declaração foi feita durante uma conversa com o diretor Judd Apatow, realizada após uma exibição especial do documentário Paul McCartney: Man on the Run, em Los Angeles. Ao falar sobre os meses que sucederam o encerramento dos Beatles, o artista disse que precisou lidar com a sensação de ter perdido sua principal referência profissional.
“O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles terminaram, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”, afirmou Paul McCartney.
Paul McCartney revela fase de excesso de bebida
Durante a conversa, Judd Apatow descreveu aquele período como uma espécie de colapso mental, definição com a qual Paul McCartney concordou. O cantor contou que passou a beber enquanto estava sozinho na Escócia, onde vivia com a família recém-formada.
“Eu comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais”, relatou o cantor.
O músico ainda resumiu a experiência de forma direta: “Foi muito divertido até deixar de ser.”
Segundo McCartney, a presença dos filhos e da então esposa, Linda McCartney, foi importante para ajudá-lo a deixar aquela fase para trás. O casal permaneceu junto até a morte de Linda, em 1998.
Wings ajudou Paul McCartney a reconstruir a carreira
Foi também ao lado de Linda que Paul McCartney começou a construir uma nova etapa profissional. Em 1971, o músico formou o Wings, banda que permaneceu em atividade até 1981.
A criação de um novo grupo, porém, representou um desafio para Paul McCartney, que não queria simplesmente reproduzir a experiência dos Beatles. No início da carreira solo, ele chegou a evitar incluir músicas da antiga banda em suas apresentações.
“Ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo. Mas aí eu tive que descobrir como faria isso e tornar diferente”, afirmou.
A nova banda permitiu que Paul McCartney experimentasse uma dinâmica diferente e estabelecesse uma identidade própria depois de mais de uma década associada aos Beatles.
A separação dos Beatles também deixou marcas na relação entre Paul McCartney e John Lennon. Os dois trocaram críticas e provocações públicas nos primeiros anos após o fim da banda, mas, ao relembrar aquele período, McCartney afirmou que o carinho pelo antigo parceiro permaneceu.
“Eu amava John, amo até hoje e sempre vou amar”, declarou Paul McCartney.
O músico destacou ainda que a longa amizade entre os dois começou quando eram adolescentes e que isso foi mais importante do que as divergências que surgiram depois da separação.
“Não importava, como não importou, o que ele dissesse ou fizesse, porque eu o conhecia desde os 15 anos”, afirmou.
Documentário revisita trajetória de Paul McCartney
O período posterior ao fim dos Beatles é um dos momentos abordados em Paul McCartney: Man on the Run, documentário dedicado à trajetória do músico após a dissolução da banda.
A produção acompanha a transformação de Paul McCartney em artista solo, a formação do Wings e os desafios enfrentados para reconstruir sua carreira em um cenário completamente diferente daquele vivido com os Beatles.
Décadas depois do fim do grupo, Paul McCartney segue revisitando episódios daquela fase e lembrando como precisou reconstruir sua identidade artística após deixar uma das bandas mais influentes da história da música.