Partido Missão realiza evento para lançar Renan Santos
Com chapa liderada por Renan Santos e foco em segurança, Partido Missão reúne apoiadores na Zona Leste de SP
- Publicado: 01/08/2026 15:32
- Alterado: 01/08/2026 15:32
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
O partido Missão realiza neste sábado, dia 1º de agosto, no espaço Komplexo Tempo, na Zona Leste de São Paulo, o evento de confirmação oficial de Renan Santos como candidato da legenda à Presidência da República. A chapa é composta pelo militar da reserva Aroldo Medina como candidato a vice-presidente.
Renan havia sido oficializado no dia 20 de julho de 2026 em uma reunião online sem transmissão ao vivo. A realização restrita daquela etapa inicial ocorreu por orientação da equipe de segurança da pré-campanha, diante de ameaças atribuídas a facções criminosas.
Trajetória Política e Fundador do Missão
Paulistano de 42 anos, Renan Santos é empresário, ativista político e uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL), entidade que fundou em 2014 ao lado do deputado federal Kim Kataguiri.
Durante o ciclo político de 2015 e 2016, Renan esteve à frente de manifestações populares pelo país, incluindo a mobilização denominada “Marcha pela Liberdade”, que caminhou de São Paulo a Brasília pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff. O candidato cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP).
Junto às lideranças do MBL, organizou a coleta de mais de 800 mil assinaturas de apoio para a criação do partido Missão, recorde histórico entre novas legendas no Brasil. O registro oficial da agremiação foi homologado pela Justiça Eleitoral no final de 2025. O partido estreia nas urnas em 2026 e, até o momento, não formalizou coligações com outras siglas.
Segurança Pública e “Direito Penal do Inimigo”

O combate ao crime organizado e a reestruturação da segurança pública figuram como os pilares centrais da plataforma de governo da chapa.
Entre as medidas defendidas por Renan Santos estão o endurecimento de penas para crimes violentos, a retomada de territórios controlados por facções e a implementação do conceito jurídico denominado “Direito Penal do Inimigo”. A proposta prevê classificar integrantes de facções como inimigos do Estado, eliminando a presunção de inocência para indivíduos identificados como membros dessas organizações ou flagrados portando fuzis.
Reformas Econômicas e Trabalhistas
No campo econômico e de gestão pública, a plataforma do candidato apresenta propostas de forte impacto fiscal e regulatório:
- Corte de Gastos: Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com meta de redução de despesas públicas estimada em R$ 3,3 trilhões ao longo de 10 anos;
- Legislação Trabalhista: Extinção da Justiça do Trabalho e substituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um modelo de negociação direta entre empregadores e trabalhadores;
- Inovação Financeira: Criação de uma reserva estratégica nacional em criptomoedas;
- Gestão Pública: Condicionamento da possibilidade de reeleição de prefeitos ao atingimento de metas de desempenho administrativo.
Polêmicas, Disputas Políticas e Questões Judiciais

Ao longo de sua atuação política, Renan Santos acumulou polêmicas envolvendo áudios vazados, embates com opositores de diferentes espectros políticos e disputas judiciais:
- Áudios Vazados e Crises Internas: A trajetória da cúpula do MBL foi marcada pelo vazamento de conversas e mensagens privadas com críticas a aliados da direita (como o grupo do deputado Nikolas Ferreira) e discussões estratégicas sobre controvérsias políticas. O grupo também enfrentou forte desgaste público após a repercussão de áudios de Arthur do Val (“Mamãe Falei”) sobre mulheres ucranianas durante a guerra na Europa, episódio que citava Renan e gerou acusações de misoginia e críticas à condução interna do movimento;
- Embates Públicos e Posicionamentos: Renan protagonizou acusações públicas contra opositores e entidades, como o grupo Sleeping Giants e o padre Júlio Lancellotti. Além disso, a defesa de pautas ultraliberais e declarações controversas de aliados propondo restrições ao voto universal geraram debates intensos. No cenário eleitoral, o rompimento do MBL com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a defesa do voto nulo no segundo turno de 2022 atraíram rejeição tanto de alas bolsonaristas quanto de simpatizantes do atual governo;
- Processos na Justiça: O ativista responde a dezenas de ações por danos morais e difamação movidas por figuras públicas e jornalistas criticados por ele, além de disputas na Justiça de São Paulo relativas a pedidos de remoção de conteúdos sobre acusações de natureza pessoal.