Escolas ganham papel central no cuidado com a saúde mental

Com casos de ansiedade e depressão em alta, escolas e famílias reforçam ações para apoiar a saúde emocional de crianças e adolescentes

Crédito: Seduc-SP

A escola deixou de ser apenas um lugar para aprender matemática ou história e se tornou um espaço fundamental para cuidar da cabeça dos nossos jovens. Hoje em dia, o colégio funciona como uma das primeiras barreiras contra problemas sérios que estão aparecendo cada vez mais cedo, como a ansiedade e a depressão. Para se ter uma ideia, um estudo recente da Organização Mundial da Saúde mostrou que um em cada sete adolescentes enfrenta algum tipo de questão ligada à saúde mental. É um número alto que acende um alerta para pais e professores.

O papel fundamental da escola e da família no cuidado com a mente

Rafael Galvão, que atua como diretor pedagógico na Rede Alfa CEM Bilíngue, explica que o papel da escola é, antes de tudo, preventivo. Segundo ele, o objetivo é ajudar o aluno a criar “casca” para enfrentar os desafios. Galvão defende que, ao ensinar o jovem a pensar por conta própria e a resolver problemas difíceis com o apoio certo, a escola está dando ferramentas para que ele não se desespere diante das pressões.

“A função da escola é intrinsecamente preventiva. O primeiro passo é capacitar o aluno, construindo uma base de resiliência por meio da autonomia intelectual, ao capacitar os alunos a pensar criticamente, resolver problemas complexos e gerenciar desafios acadêmicos com o suporte adequado. Essa capacidade de autogestão e adaptação é fundamentalmente protetiva contra a ansiedade e o burnout”, afirma o educador. Para ele, equilibrar a cobrança por notas com o ensino de como organizar o tempo faz toda a diferença para diminuir aquele medo de falhar.

Mas não basta apenas o aluno ser forte; o ambiente ao redor dele precisa ajudar. Galvão ressalta que a escola deve ser um lugar onde o estudante se sinta seguro para falar o que sente. Ele explica que isso acontece na prática através de mentorias e conversas individuais: “Essa cultura se materializa em programas de mentoria, aconselhamento individualizado e canais abertos para que os estudantes se sintam seguros para expressar suas preocupações. A identificação precoce de sinais de sofrimento é facilitada por essa relação“, conta o diretor.

Saúde mental dos professores

Professores de SP - Educação - piso salarial - Escola
Divulgação/Governo de SP

Outro ponto que ele traz e que muita gente esquece é que a saúde mental do professor influencia diretamente a do aluno. Se quem ensina está equilibrado, a sala de aula se torna um lugar muito mais leve e acolhedor. Galvão pontua que “educadores que demonstram equilíbrio emocional, resiliência e habilidades de autogestão servem como modelos positivos para os alunos. Eles ensinam, não apenas com palavras, mas com o próprio exemplo, como lidar com o estresse e as pressões”. Além disso, ele defende que a rotina escolar, mesmo sendo puxada por causa de provas como o ENEM, precisa ter momentos de descanso e lazer para os jovens recarregarem as energias.

Por outro lado, quem vive o dia a dia em casa sabe que a escola não faz milagre sozinha. Leticia, que mora em Ribeirão Pires e é mãe do Eduardo, de 15 anos, acredita que essa conversa precisa começar na sala de estar. Para ela, o olhar dos pais é insubstituível na hora de notar se o filho está sofrendo além da conta. Leticia compartilha sua visão: “Acredito que os responsáveis por esses jovens e crianças devem ficar de olho quando demonstram ansiedade para fazer uma prova, por exemplo. É nosso papel também equilibrar a questão do estudo e a pressão que por muito tempo foi normalizada. Hoje vemos tantos adolescentes sofrendo com ansiedade e depressão”.

Essa união entre o suporte pedagógico na escola e o carinho atento em casa parece ser o melhor caminho para garantir que os jovens cresçam não apenas com boas notas, mas com saúde e bem-estar para a vida e os desafios da fase escolar com mais equilíbrio.

  • Publicado: 16/03/2026 17:06
  • Alterado: 16/03/2026 17:06
  • Autor: 16/03/2026
  • Fonte: ABCdoABC