Países da Europa fecham fronteiras após entrada massiva em Ceuta

A crise migratória na cidade de Ceuta levou Itália e França a reforçarem controles fronteiriços, enquanto o governo da Espanha busca acelerar repatriações

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A massiva entrada de migrantes no enclave espanhol de Ceuta desencadeou um efeito dominó de segurança na Europa. A crise levou governos vizinhos, como Itália e França, a restabelecerem o controle em suas fronteiras com a Espanha, enquanto Madri mobiliza forças policiais e militares para conter os fluxos e acelerar o processo de repatriação ao Marrocos.

De acordo com informações de autoridades policiais locais repassadas à Agência EFE, cerca de 53 mil pessoas que haviam entrado de forma irregular no enclave já retornaram voluntariamente ao território marroquino. As estimativas oficiais sobre o volume total de entradas variavam entre 50 mil e 60 mil pessoas na região de Ceuta.

Resposta espanhola e barreiras em Ceuta

Em pronunciamento oficial direto de Ceuta, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, atribuiu a responsabilidade da crise a redes criminosas de tráfico humano e declarou que houve uma violação da integridade territorial do país.

“As organizações criminosas exploraram uma interpretação oportunista de uma decisão recente da Suprema Corte sobre as regras aplicáveis aos migrantes que chegam a nado aos enclaves”, afirmou o premiê espanhol.

Para contornar os gargalos jurídicos e conter novas travessias, o governo estuda a instalação de boias e barreiras físicas no quebra-mar que divide Ceuta da cidade marroquina de Castillejos. A medida visa adequar a atuação policial à determinação da Suprema Corte espanhola, que veda devoluções sumárias no mar caso não existam estruturas físicas de contenção.

Reação europeia e restrição de fronteiras

A repercussão do cenário vivido em Ceuta atingiu rapidamente a União Europeia. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou o restabelecimento temporário de fiscalizações em portos e aeroportos para passageiros oriundos da Espanha, focando em cidadãos de fora do bloco comunitário por razões de segurança nacional.

A França seguiu caminho semelhante e intensificou a vigilância no perímetro de divisa com o território espanhol. O ministro do Interior francês, Laurent Núñez, confirmou o aumento do efetivo para 334 policiais e gendarmes, além do envio de três aeronaves de monitoramento e patrulha ostensiva nos trens internacionais.

A Comissão Europeia relembrou que as normas do Espaço Schengen autorizam a reintrodução excepcional de controles internos caso haja ameaça à segurança, desde que o ato seja formalmente notificado às autoridades do bloco. As instituições europeias ressaltaram que a prioridade do momento consiste em estabilizar a ordem pública e assegurar os retornos a partir de Ceuta.

  • Publicado: 31/07/2026 21:15
  • Alterado: 31/07/2026 21:15
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Agência EFE