Operação Ouro Reverso bloqueia R$ 374 milhões em SP

Policiais de SP desarticulam esquema de lavagem na Operação Ouro Reverso e sequestram quantias milionárias ligadas ao comércio ilegal de joias valiosas

Crédito: Divulgação/Governo de SP

A Polícia Civil de São Paulo paralisou um gigantesco esquema financeiro ligado ao crime organizado. A terceira fase da Operação Ouro Reverso bloqueou mais de R$ 374 milhões em ativos ilícitos. A ação ataca diretamente a espinha dorsal de uma quadrilha especializada em roubar, derreter e reinserir joias na economia formal. O dinheiro limpo financiava novas atividades criminosas.

A mira da Operação Ouro Reverso no núcleo financeiro

Operação Ouro Reverso bloqueia R$ 374 milhões em SP
Agência SP/Reprodução

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) coordena a ofensiva policial. Os agentes fecharam o cerco contra empresas de fachada e indivíduos atuando como “laranjas” para ocultar o patrimônio delituoso. Uma única empresa fraudulenta movimentou mais de R$ 356 milhões sob o radar das autoridades. A quebra do sigilo bancário revelou o verdadeiro caminho do dinheiro sujo.

A força-tarefa exige logística robusta e mobiliza 87 profissionais em campo. O roteiro tático das equipes estaduais inclui intervenções severas contra o grupo:

  • Cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão.
  • Interdição imediata de um estabelecimento comercial de joias.
  • Sequestro judicial de imóveis ligados aos operadores do esquema.

A inteligência policial dissecou as transferências bancárias sucessivas. Esse rastreamento minucioso, apoiado por Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), comprovou as fraudes contábeis criadas para maquiar a procedência criminosa do ouro e simular legalidade.

“O trabalho conjunto reúne inteligência e análise financeira para atingir o patrimônio das organizações criminosas e enfraquecer sua capacidade de atuação.” – Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo.

A origem da investigação e o jogador de futebol

Tudo começou de maneira inusitada em 2024. Investigadores monitoravam criminosos e identificaram a entrega de uma joia de luxo a um famoso jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo. O responsável pelo presente já carregava condenações judiciais por integrar facção criminosa. Esse elo repentino expôs as entranhas mercantis da quadrilha.

A cronologia da Operação Ouro Reverso revela uma escalada estruturada no combate ao crime paulista. As etapas investigativas atacaram setores específicos de toda a cadeia delituosa.

  • Fase 1 (O Sangue): Deflagrada em maio de 2025. Prendeu assaltantes responsáveis por roubos violentos de alianças e conteve os receptadores iniciais do material bruto.
  • Fase 2 (A Fachada): Ocorrida em agosto de 2026. Mirou laboratórios clandestinos no centro da capital paulista, na região do Círculo do Fogo, bloqueando R$ 35 milhões em bens.
  • Fase 3 (A Máquina): A etapa atual foca nos operadores e asfixia a alta gestão financeira do grupo de lavagem.

As autoridades policiais seguem analisando celulares e computadores apreendidos. O cruzamento dos dados contábeis promete revelar novos beneficiários ocultos da rede ilegal. O estrangulamento financeiro consolidado pela Operação Ouro Reverso encerra um ciclo contínuo de impunidade e impõe prejuízos irrecuperáveis ao crime organizado.

  • Publicado: 27/10/2026 14:27
  • Alterado: 27/10/2026 14:28
  • Autor: Leonardo Nogueira
  • Fonte: Agência SP