O último grande ato de Luka Modrić
Às vésperas da estreia contra a Inglaterra, a Croácia volta a depositar suas esperanças no jogador que mudou para sempre a história do futebol do país
- Publicado: 17/06/2026 14:54
- Alterado: 17/06/2026 14:54
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
Quando Luka Modrić estreou pela seleção principal da Croácia, em março de 2006, muitos dos atuais companheiros de equipe ainda estavam na infância. Naquele momento, a seleção croata carregava o peso de uma geração que havia surpreendido o mundo ao conquistar o terceiro lugar na Copa de 1998, mas ainda buscava uma nova identidade.
Vinte anos depois, essa identidade tem nome e sobrenome. Aos 40 anos, Luka Modrić segue sendo o principal símbolo do futebol croata. A Copa do Mundo de 2026 pode representar o último capítulo de uma carreira que mudou para sempre a história da seleção.
A Croácia antes de 2018

Durante décadas, os Vatreni foram vistos como uma seleção capaz de produzir talentos extraordinários, mas raramente era apontada entre as grandes potências do futebol mundial.
Em sua estreia em Copas, em 1998, a Croácia surpreendeu ao chegar à semifinal e terminar na terceira colocação. Muitos acreditavam que o país se tornaria presença constante entre os protagonistas do futebol internacional. A realidade, porém, foi diferente. Nas três participações seguintes, em 2002, 2006 e 2014, os croatas foram eliminados ainda na fase de grupos. Em 2010, sequer conseguiram se classificar para o Mundial da África do Sul.
Duas décadas após o brilho de Šuker e companhia, a geração que encantou o mundo em 1998 parecia cada vez mais distante. Foi então que Luka Modrić assumiu o protagonismo e iniciou a transformação mais importante da história do futebol croata.
A Copa de 2018 e a revolução croata
Em 2018, a Croácia chegou à Copa do Mundo sem o status de favorita. O que aconteceu na Rússia, porém, superou qualquer expectativa. Liderada por Luka Modrić, a Croácia eliminou Dinamarca, Rússia e Inglaterra para alcançar a primeira final de Copa do Mundo de sua história. Embora tenha perdido para a França na decisão, a campanha transformou a forma como a seleção era vista no cenário internacional.
A partir daquele momento, a Croácia deixou de ser apenas uma equipe capaz de surpreender e passou a ser encarada como uma das forças mais competitivas do futebol mundial. Luka Modrić foi eleito o melhor jogador do torneio e, meses depois, encerrou a hegemonia de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo ao conquistar a Bola de Ouro, prêmio entregue ao melhor jogador do mundo.
Mas o meia ainda não havia terminado sua obra. Quatro anos depois, a Croácia voltou a surpreender. Com uma campanha marcada pela experiência de seus veteranos, terminou a Copa do Catar na terceira colocação. Mais uma vez, Luka Modrić esteve no centro da campanha, provando que o vice-campeonato de 2018 não havia sido um acaso.
A última dança

Agora, em 2026, a situação mudou muito. A idade está avançada e a renovação finalmente começou a acontecer. Os jogadores mais jovens estão assumindo responsabilidades cada vez maiores, mas nenhum deles carrega o mesmo peso simbólico que o camisa 10 carrega.
O meia representa muito mais do que números e conquistas, representa uma geração inteira de jogadores que transformou a seleção da Croácia de uma equipe competitiva em uma candidata permanente a incomodar os times mais fortes do futebol mundial.
A estreia contra a Inglaterra traz lembranças inevitáveis: foi justamente diante dos ingleses que a Croácia viveu um dos momentos mais importantes de sua história, quando venceu a semifinal da Copa de 2018 e garantiu vaga na decisão.
Para os croatas, esta Copa é a oportunidade de assistir, pela última vez, ao jogador que levou o país mais longe do que qualquer um imaginava que seria possível. Afinal, quando Luka Modrić entrou em campo pela primeira vez com a camisa da Croácia, o país ainda buscava uma nova identidade. Duas décadas depois, ela atende pelo seu nome.