O homem descobriu que comer tomate faz crescer. Mas ele já tinha cinquenta anos e não cresceria mais. Ledo engano. Comeu tomate e cresceu. Sentiu as pernas dilatarem, a cabeça inchar, os dedos das mãos esticarem. Para sair da mesa foi uma dificuldade; as pernas ficaram entaladas. Ele ficou maravilhado.
Foi até a quitanda e lá mesmo encheu-se de tomate. Tirava da banca e enfiava na boca. A polpa escorria nojenta pelo canto dos lábios enquanto o corpo espichava. O homem chegou a quase seis metros de altura. Saiu da quitanda engatinhando e arrastando barracas e pessoas. Ficou em pé e adorou ver aquela gente tão miúda, inferior, nada ameaçadora.
Mas, quando olhou para cima e viu os enormes prédios, percebeu que não tinha crescido o bastante. Sentou-se no cruzamento de duas avenidas e alcançou com os olhos um carregamento de tomates. Arrastou o caminhão para si. Deglutiu toneladas. Superou os maiores arranha-céus. Apoiou o cotovelo numa cobertura com piscina. Agora estava satisfeito.
Até que começou a se incomodar com os aviões e helicópteros que sobrevoavam sua cabeça. Estudou. E achou impossível transpor aquela altura. Não haveria tomate suficiente. Então, sacou troncos compridos, de longo alcance. Usou-os como tacos e, com golpes certeiros, ocupou-se em derrubar todos que ousassem passar por cima.