O blues perde seu rei
Lenda do blues norte-americano, B.B. King morreu na noite desta quinta-feira, 14, em Las Vegas (no horário local), aos 89 anos
- Publicado: 15/05/2015 10:45
- Alterado: 16/08/2023 18:09
- Autor: Redação ABCdoABC
- Fonte: Estadão Conteúdo
O músico, segundo o seu advogado, Brent Bryson, morreu tranquilamente em sua cama.
Os preparativos do funeral já estão em andamento, informou Bryson. King sofria de diabetes e mostrou declínio no seu estado de saúde no último ano. O bluesman desmaiou durante um concerto em Chicago em outubro passado – na ocasião, alegou que os motivos eram desidratação e exaustão. Ele passava por cuidados paliativos em sua casa, em Las Vegas.
Nascido em 16 de setembro de 1925 no Mississippi, Riley Ben King iniciou sua carreira em 1948 e passou sua vida artística acompanhado de sua guitarra Gibson, carinhosamente batizada de Lucille.
Conhecido como o Rei do Blues, o músico, que inspirou gerações de guitarristas, incluindo o inglês Eric Clapton, vendeu milhões de discos em todo o mundo e ganhou 15 prêmios Grammy – além de ter sido incluído no Blues Foundation Hall of Fame and the Rock and Roll Hall of Fame.
História
Uma noite de inverno definiu quem era BB King. Foi no Arkansas, em 1949, quando ele tocava músicas de Pee Wee Crayton para animar o baile. Era então um garoto de 24 anos com sua guitarra Gibson L-30 que havia acabado de comprar e turbinar com um captador a mais.
Estava feliz e realizado mesmo na noite fria, aquecida pelos rodopios dos casais que um dia chamariam aquilo de rock and roll e pelo querosene que queimava dentro de um latão de lixo colocado no canto do salão. As vozes então ficaram mais altas do que os solos e dois rapazes se agarraram aos socos. Saíram rolando pelo salão, derrubaram o latão e só pararam quando as chamas se alastraram pela casa. King, seus músicos e todos os dançarinos saíram quase juntos pela única porta do bar. Mas Lucille, não.
O fim de Lucille, escreveu BB King em seu livro de memórias batizado Corpo e Alma do Blues, lançado em 1996, seria seu fim também. Desnorteado, ele livrou-se dos amigos que tentavam contê-lo e correu pelas chamas para buscá-la. As vigas da casa já caíam quando ele a avistou. E assim descreveria o episódio, quase 50 anos depois: “Salto a viga no momento em que a parede desmorona atrás de mim… Abaixo a cabeça, abraço a guitarra e parto como um raio para fora. A noite é uma visão maravilhosa. Minhas pernas estão chamuscadas, mas minha guitarra está bem.”
A história se tornou um clássico e Lucille, o nome da mulher pela qual os dois rapazes se engalfinharam naquele bar, ficou para sempre. “Com a possível exceção do sexo de verdade com uma mulher de verdade, nada me traz tanta paz de espírito quanto Lucille”, diria depois.
BB King foi o último herói de sua geração na estrada e sua despedida começa a apagar uma era. Dos bluesmen em atividade, destes que salvam guitarras de incêndios, só sobrou Buddy Guy, hoje com 78 anos.
Desde o resgate de Lucille, ele não mais saiu da estrada por uma questão de sobrevivência. Quando lhe perguntaram se não acreditava que o fim da estrada estaria próximo, esta foi sua resposta. “Quero ser melhor, muito melhor do que sou hoje. Não se está morto até morrer. E eu serei um garoto até o dia de minha morte.”
. A informação foi confirmada pelo advogado do artista. O músico, que inspirou gerações de guitarristas, de Eric Clapton a Stevie Ray Vaughan, foi hospitalizado em abril por alguns dias por causa de uma desidratação. Ele tinha diabetes tipo 2 e, neste mês, recebia cuidados médicos em casa, segundo informou em uma publicação em uma rede social