Número de mortos após os terremotos na Venezuela sobe para 4.118
Número de mortos após terremotos na Venezuela sobe para 4.118; OMS alerta para o risco iminente de epidemias nos abrigos superlotados
- Publicado: 10/07/2026 20:46
- Alterado: 10/07/2026 20:46
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O total de vítimas fatais decorrentes dos fortes tremores que atingiram a Venezuela no dia 24 de junho subiu para 4.118. O balanço atualizado foi divulgado pelas autoridades de saúde nesta sexta-feira (10). De acordo com os dados oficiais, o desastre natural deixou ainda 16.740 pessoas feridas. Até o momento, as instituições governamentais não divulgaram um número consolidado de desaparecidos.
A situação humanitária na Venezuela é considerada crítica pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão internacional alertou que a falta de saneamento básico e o acesso restrito à água potável representam uma ameaça severa aos sobreviventes. Mais de 80 abrigos públicos foram abertos para acolher a população afetadas pelos tremores.
Crise sanitária ameaça sobreviventes em abrigos
De acordo com o mapeamento logístico, cerca de 18 mil cidadãos precisaram abandonar suas residências devido aos abalos sísmicos na Venezuela. Desse contingente, ao menos 17 mil indivíduos permanecem alocados em estruturas temporárias de acolhimento mantidas pelo Estado.
A superlotação e a infraestrutura deficitária desses alojamentos temporários criam um ambiente propício para a proliferação de enfermidades de fácil contágio. A OMS aponta o risco iminente do surgimento de surtos epidemiológicos de doenças que poderiam ser evitadas, tais como:
- Cólera e infecções intestinais agudas;
- Tuberculose e síndromes respiratórias;
- Tétano e sarampo.
As equipes técnicas ressaltam que o cenário é agravado pela queda drástica na cobertura vacinal rotineira entre as populações que foram forçadas a se deslocar, o que eleva exponencialmente a vulnerabilidade epidemiológica da Venezuela.
Hospitais de campanha e suporte emergencial
Para mitigar os impactos e frear o avanço de infecções, a agência da ONU atua de forma conjunta com o Ministério da Saúde da Venezuela. O foco imediato das equipes de campo é o controle de patologias gastrointestinais e respiratórias.
“Estamos avaliando a abertura de novos hospitais de campanha nas regiões de Caracas e La Guaira, que figuram como os epicentros dos danos causados por este desastre natural”, informou a representação da ONU em nota oficial.
No panorama geral de assistência, as Nações Unidas calculam que aproximadamente 1,3 milhão de habitantes da Venezuela necessitam urgentemente de algum tipo de amparo humanitário. Para custear a logística de salvamento, suprimentos e reestruturação médica, foram mobilizados cerca de US$ 300 milhões (o equivalente a R$ 1,5 bilhão).
Identificação de vítimas em La Guaira
A localização e o reconhecimento dos corpos permanecem como um dos principais desafios operacionais enfrentados pelas equipes de resgate no território da Venezuela. Devido às condições estruturais pós-desastre, os trâmites de identificação avançam de forma lenta.
Na região litorânea de La Guaira, uma das mais castigadas pela atividade sísmica, ao menos 300 vítimas foram sepultadas sem que houvesse a confirmação formal de suas identidades. De acordo com as diretrizes de direitos humanos adotadas na região, o material genético de todos os corpos foi devidamente coletado e catalogado pelas autoridades científicas. O arquivo de DNA visa garantir que familiares e parentes consigam realizar o reconhecimento e a localização dos entes queridos futuramente.