NR-1 leva empresas a adotar novas práticas de saúde mental
Fim da suspensão do STF para sanções trabalhistas obriga companhias a monitorar e prevenir os riscos psicossociais no dia a dia.
- Publicado: 24/09/2026 16:38
- Alterado: 24/09/2026 16:38
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O término da suspensão de 90 dias determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) coloca em vigor as sanções para o descumprimento da NR-1. As empresas brasileiras passam a ser multadas caso ignorem a gestão de riscos psicossociais no ambiente corporativo a partir da última semana de setembro. O novo cenário jurídico cobra uma postura preventiva contra o adoecimento mental dos trabalhadores.
A realidade do mercado corporativo revela um forte despreparo. Um levantamento da consultoria Heach feito no início de 2026 mostrou que 68% das companhias não compreendem plenamente as novas exigências, enquanto 58% afirmam agir apenas diante de situações críticas. Os números alertam para a urgência de integrar mecanismos contínuos de acompanhamento psicológico nas operações cotidianas.
Como a NR-1 transforma a rotina das organizações
A petroquímica Braskem antecipou o movimento regulatório ao lançar seu Programa Global de Saúde Integral e Bem-Estar em 2022. A estrutura formou um fluxo interno para investigar transtornos comportamentais e criou ferramentas de monitoramento contínuo. Práticas como o preenchimento do Termômetro do Bem-Estar passaram a medir a qualidade da relação entre funcionários, lideranças e a própria corporação.
A adequação à NR-1 exigiu também a revisão dos processos de trabalho e a adoção de métricas internacionais validadas. A organização importou o questionário do Health and Safety Executive (HSE) do Reino Unido para mapear as diversas dimensões de estresse no ambiente produtivo. Turmas de capacitação treinaram lideranças ao longo de 2025 para identificar sintomas iniciais de sobrecarga nas equipes.
O papel da alta liderança na saúde do trabalhador
“Mais do que responder a uma exigência regulatória, esse momento exige que as organizações desenvolvam capacidades para incorporar o tema à sua gestão”, afirma Eduardo Ferreira Arantes, gerente de Saúde da Braskem e médico especialista em Medicina do Trabalho. A prevenção efetiva necessita de ações práticas na rotina da operação, englobando a redistribuição de demandas e a adequação de prazos irreais.
O acompanhamento executivo ganha força com os Comitês de Saúde Integral, fóruns que unem líderes e funcionários na identificação de perigos ocultos nas metas empresariais. “A saúde mental precisa fazer parte da rotina das empresas e ser uma responsabilidade compartilhada”, ressaltou o especialista. A efetiva fiscalização da NR-1 encerra a era da gestão passiva e obriga o setor privado a tratar o bem-estar como pilar estratégico e inegociável.