Novo rompimento de lago ameaça resgates no Nepal
Enchentes no Himalaia já deixaram 543 mortos, sendo 538 no Nepal, enquanto equipes de resgate enfrentam risco de novas enxurradas na região
- Publicado: 28/08/2026 09:36
- Alterado: 28/08/2026 09:36
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
As autoridades do Nepal determinaram nesta sexta-feira (28) que as equipes de resgate que procuram sobreviventes das inundações fatais adotem medidas de segurança após o rompimento, no Tibete, de um lago formado por um recente deslizamento. O episódio aumentou o risco de novas enxurradas na região do Himalaia.
Operações de resgate são suspensas após alerta

O incidente levou à suspensão temporária das operações de busca. As equipes voltaram ao trabalho depois que o risco foi considerado controlável. No Nepal, o Exército informou que o nível da água subiu cerca de 60 centímetros após o alerta. Do lado chinês, equipes de resgate também foram retiradas para uma área segura.
O desastre já matou pelo menos 543 pessoas na região do Himalaia, segundo balanços ainda preliminares. Desse total, 538 mortes foram registradas no Nepal, de acordo com um levantamento da polícia divulgado na manhã desta sexta-feira, enquanto cinco ocorreram do lado chinês, segundo a imprensa estatal.
As informações sobre as vítimas não estão reunidas em uma única fonte e são divulgadas separadamente pelas autoridades e pela imprensa dos dois lados da fronteira. Mais de 1.400 pessoas continuam desaparecidas.
Enchente destruiu casas, pontes e estradas

Uma massa de água e lama semelhante a um tsunami avançou pela região na quarta-feira (16), soterrando casas, destruindo pontes e arrastando veículos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que a tragédia foi provocada pelo colapso de uma geleira, que desencadeou uma enorme corrente de rochas, gelo, lama e detritos pelos rios da região.
A enchente destruiu vilarejos, estradas, pontes e usinas de energia em uma rota que conecta Katmandu, capital do Nepal, a Lhasa, no Tibete. Mais de 90 mil pessoas foram afetadas, segundo estimativa da Cruz Vermelha. Caminhões carregados com ajuda humanitária também ficaram impedidos de chegar às áreas atingidas.
A água ficou represada e formou lagos nos dois lados da fronteira, aumentando o risco de novos rompimentos e transbordamentos. Um deles cedeu na manhã desta sexta-feira no Tibete, colocando em perigo as equipes que realizavam buscas na região. Por isso, a polícia nepalesa orientou os socorristas a procurarem locais seguros.
Mais tarde, a mídia estatal chinesa informou que o risco de inundações relacionado a um lago formado após o desabamento de uma geleira estava sob controle. Com a redução do perigo, as operações de resgate, que haviam sido interrompidas, puderam ser retomadas.
Lago represado ameaça ampliar os estragos
A Reuters identificou a localização do lago, situado na fronteira entre os dois países e acima da passagem de fronteira de Gyirong. A inundação repentina destruiu o porto, arrastando pessoas e veículos. Segundo a imprensa estatal, 558 pessoas estavam desaparecidas na região, entre elas 260 estrangeiros.
A China enviou uma equipe formada por oito engenheiros para monitorar o lago. Na quinta-feira, o país alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água, volume equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas, deveriam chegar ao lago ainda represado nos três dias seguintes. A previsão elevava o risco de rompimento, com o pico da vazão estimado para 1º de setembro.
As autoridades chinesas determinaram ainda nesta sexta-feira o reforço das operações de busca e resgate e solicitaram maior monitoramento de lagos glaciais, áreas sob risco de deslizamentos e lagos represados.
O Nepal acompanha dois lagos localizados acima da área atingida pela inundação. Um deles começou a transbordar nesta sexta-feira, segundo a Autoridade de Gestão de Desastres do país.
Os riscos de inundação devem permanecer até que os dois lagos tenham escoado completamente, de acordo com o órgão. As autoridades utilizam imagens de satélite para acompanhar as condições, embora o monitoramento ainda seja limitado.
O país também planeja instalar câmeras e sensores a jusante, inclusive nas proximidades da cidade fronteiriça de Timure, e avalia a possibilidade de transportar os equipamentos por helicóptero.
Equipes procuram sobreviventes em áreas isoladas
Equipes de resgate utilizaram helicópteros para procurar sobreviventes e transportar suprimentos para regiões isoladas. Serviços de emergência também recuperaram dezenas de corpos arrastados pela água.
As equipes continuam em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes nas áreas devastadas, onde os estoques de alimentos e água potável começam a diminuir.
O líder chinês, Xi Jinping, presidiu uma reunião com altos dirigentes sobre as operações de resgate e ofereceu ajuda ao país vizinho.
Apesar das ofertas de assistência internacional, o Nepal afirmou que não precisa de equipes estrangeiras para as operações de busca e resgate. Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh solicitaram autorização para enviar equipes, segundo o Kathmandu Post.
Na Índia, as autoridades informaram ter recuperado sete corpos em rios que nascem no país vizinho. A suspeita é de que as vítimas tenham morrido nas inundações.