Netanyahu rejeita plano de Trump e trava acordo em Gaza

O primeiro-ministro israelense travou a nova fase do acordo de paz em Gaza e reafirmou o compromisso de vetar o avanço nuclear iraniano.

Crédito: RS/FotosPúblicas

O primeiro-ministro Netanyahu declarou neste domingo (9) que o Exército de Israel não deixará a Faixa de Gaza sem o desarmamento efetivo do Hamas. A decisão rejeita o plano de paz de 15 pontos proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e paralisa as negociações internacionais na região.

Durante reunião do gabinete israelense, o chefe de Governo afirmou que a proposta apresentada no fim de julho pelo Conselho de Paz norte-americano é insuficiente. Os Estados Unidos haviam anunciado um entendimento prévio com o grupo palestino, mas o governo israelense nega a existência de garantias reais de segurança.

Posição de Netanyahu paralisa plano de paz

“Israel rejeita o documento de 15 pontos”, afirmou o primeiro-ministro israelense, segundo a agência de notícias AFP. Ele acrescentou que o exército “não fará nenhuma retirada” do território palestino enquanto a milícia mantiver sua capacidade militar.

O roteiro diplomático previa etapas graduais para a estabilização e reconstrução do enclave. O desarmamento do grupo extremista permanece como o impasse central entre as partes envolvidas no conflito.

Escalada de tensão e ameaças ao Irã

Paralelamente às negociações em Gaza, Netanyahu mandou um recado direto a Teerã sobre o programa nuclear iraniano. O governante assegurou que as Forças Armadas atuarão independentemente dos diálogos diplomáticos entre o governo norte-americano e as autoridades iranianas.

“Quero enfatizar mais uma vez: com ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”, declarou o líder israelense.

O conflito se expandiu para rotas comerciais estratégicas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao pagamento de indenizações pelos ataques recentes e à suspensão de sanções americanas. Antes do bloqueio naval, cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás passava pela região.

A instabilidade afetou também a infraestrutura energética regional. Os rebeldes houthis, aliados do regime iraniano no Iêmen, reivindicaram um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco em Jazan, na Arábia Saudita. O Ministério da Energia da Arábia Saudita confirmou a ocorrência de um incêndio na instalação petrolífera, afirmando que o fogo foi controlado sem detalhar as causas.

Desafios para a diplomacia internacional

A postura inflexível assumida por Netanyahu coloca sob pressão a estratégia de mediação liderada pela Casa Branca. Sem um consenso sobre o futuro de Gaza e a segurança no Oriente Médio, os acordos internacionais correm o risco de colapso definitivo.

  • Publicado: 09/08/2026 11:05
  • Alterado: 09/08/2026 11:05
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria