Operação Narcofluxo: STJ revoga prisão de MC Ryan SP e Poze do Rodo
O Superior Tribunal de Justiça reconheceu erro no prazo das detenções e concedeu liberdade a investigados por esquema bilionário.
- Publicado: 23/04/2026 12:55
- Alterado: 23/04/2026 12:55
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FolhaPress
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liberdade ao cantor Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, e a outros investigados na Operação Narcofluxo. O ministro Messod Azulay Neto assinou a decisão na última quinta-feira (23), revertendo as prisões temporárias decretadas originalmente no dia 15 de abril.
A Justiça estendeu o benefício processual para outras figuras conhecidas do público. O cantor MC Poze do Rodo, o influenciador Mateus Eduardo Magrini Santana e o empresário Raphael Sousa Oliveira deixarão o sistema prisional sob as mesmas justificativas legais.
Erro de prazo na Operação Narcofluxo
O magistrado identificou uma falha jurídica grave na emissão dos mandados originais. A Polícia Federal (PF) solicitou cinco dias de detenção para os suspeitos, mas a ordem judicial inicial estipulou trinta dias de encarceramento sem apresentar base legal para o acréscimo do período.
“Evidenciada a flagrante ilegalidade da decisão que decretou a prisão temporária pelo prazo de 30 dias, especialmente porque a própria representação da autoridade policial limitou-se ao prazo de cinco dias”, declarou o ministro em seu despacho enviado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
A defesa técnica dos artistas argumentou que a revogação surgiria como o único caminho jurídico viável após o erro na contagem dos dias. O STJ aplicou o princípio da isonomia para soltar todos os alvos detidos na mesma fase da investigação.
Como funcionava o esquema financeiro
As autoridades responsáveis pela Operação Narcofluxo estimam que os crimes movimentaram cerca de R$ 1,6 bilhão. Os investigadores apontam o uso de jogos de azar e rifas digitais clandestinas para mascarar os valores milionários obtidos ilegalmente.
A Polícia Federal investiga conexões diretas da rede financeira com o tráfico internacional de drogas. O dinheiro ilícito passaria por empresas de entretenimento musical para ganhar aparência de legalidade antes de retornar ao mercado formal na compra de imóveis e joias luxuosas.
O papel dos artistas no inquérito
O processo aponta MC Ryan como o principal beneficiário da rede de lavagem de capitais. Os relatórios indicam transferências sistemáticas de cotas empresariais para familiares na tentativa de ocultar patrimônio dos órgãos de controle fiscal brasileiro.
As apurações continuam mesmo com os investigados respondendo em liberdade. Os bloqueios de bens e as quebras de sigilo bancário seguem ativos enquanto a força-tarefa analisa os documentos apreendidos durante a Operação Narcofluxo.