Mostra Femininas Plurais chega ao Itaú Cultural Play

Femininas Plurais apresenta nove curtas de animação dirigidos por mulheres e celebra diversidade, memória e protagonismo feminino

Crédito: Divulgação

A mostra Femininas Plurais entra em cartaz no dia 6 de março na Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma gratuita de streaming dedicada ao cinema nacional. Em um mês marcado pelas reflexões sobre o protagonismo feminino, Femininas Plurais aposta na complexidade das personagens mulheres em narrativas que transitam entre documentário, ficção e experimentação.

Ao todo, Femininas Plurais reúne nove curtas-metragens assinados por diretoras consagradas e estreantes. As obras exploram múltiplas técnicas de animação para evidenciar a pluralidade estética e temática da produção autoral feminina no Brasil.

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível no site oficial da plataforma, nas smart TVs Samsung, LG, Android TV e Apple TV, além de aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Também é possível encontrar conteúdos da IC Play nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

Femininas Plurais destaca obras premiadas e reconhecimento internacional

Itaú Cultural Play  - Femininas Plurais
Divulgação- Mulher vestida de sol

Entre os principais títulos de Femininas Plurais está Carne (São Paulo, 2019), documentário dirigido por Camila Kater e qualificado ao Oscar em 2021. O curta combina diferentes técnicas de animação para traduzir camadas de dor e resistência diante de padrões opressivos enfrentados por cinco mulheres em distintas fases da vida.

Além da qualificação à premiação internacional, Carne conquistou mais de 95 prêmios. O roteiro parte de uma metáfora contundente para abordar a violência estrutural e a resistência feminina em uma sociedade que historicamente coíbe e silencia mulheres.

Outro destaque da programação de Femininas Plurais é Apneia (Paraná, 2019), dirigido por Carol Sakura e Walkir Fernandes. A animação acompanha Muriel, menina que não sabe nadar e mergulha no próprio passado para encontrar segurança e conseguir respirar. O filme recebeu mais de 15 prêmios, incluindo Melhor Curta no Festival de Gramado e no Anima Mundi, em 2019.

Narrativas de identidade, ancestralidade e reconstrução

Divulgação – Apneia

A diversidade regional é outro eixo estruturante de Femininas Plurais. Em Mulher vestida de sol (Bahia, 2024), de Patrícia Moreira, Liah embarca em uma jornada onírica para se reconectar com sua essência e acessar memórias ancestrais. Vencedor do Prêmio Grande Otelo em 2024, o filme combina aquarela, rotoscopia e animação vetorizada para explorar identidade e pertencimento.

Primeiro curta-metragem de animação realizado no Amapá, Solitude (2021), de Tami Martins, acompanha Sol, mulher em reconstrução após o fim de um relacionamento. Sua sombra foge para o Deserto do Atacama, desencadeando uma travessia simbólica pela região Norte do Brasil. Com traços delicados em 2D e paleta multicolorida, o filme aborda autoestima, autonomia e desejo de recomeço.

Já em Jussara (Bahia, 2023), de Camila Ribeiro, uma idosa reconhecida como guardiã de histórias decide viver a própria trajetória, em vez de apenas narrar a dos outros. A obra celebra a ancestralidade negra e o protagonismo das mulheres como transmissoras de memória, articulando cenários em aquarela com personagens digitais.

Espiritualidade, memória e crítica aos estereótipos

Divulgação – Apoptosis

A programação de Femininas Plurais também contempla perspectivas indígenas e reflexões sobre representação. Mãtãnãg, a encantada (Minas Gerais, 2019), de Charles Bicalho e Shawara Maxakali, baseia-se em narrativa tradicional do povo Maxakali. Falado na língua originária e realizado em colaboração com a comunidade, o curta acompanha a travessia de uma mulher que segue o espírito do marido até a aldeia dos mortos, reafirmando saberes e cosmologias indígenas.

Em Apoptosis (Pará, 2023), Brenda Bastos constrói um cenário pós-apocalíptico em que um vírus devastou a humanidade. Entre silêncios e paisagens desoladas, duas mulheres enfrentam solidão e luto em uma narrativa marcada pela contenção estética.

Fechando a seleção, Mademoiselle Cinema (Rio de Janeiro, 1995), de Helena Lustosa, articula imagens de arquivo e animação para questionar estereótipos femininos perpetuados pela história do cinema. A obra confronta a objetificação do corpo da mulher e a transformação da arte cinematográfica em produto de consumo, mantendo vigor e atualidade décadas após sua realização.

Com diversidade temática e estética, Femininas Plurais reafirma o papel da animação como linguagem potente para discutir gênero, memória, identidade e resistência — consolidando a Itaú Cultural Play como vitrine estratégica para o cinema brasileiro contemporâneo.

SERVIÇO

Mostra Femininas Plurais

A partir de 06 de março de 2026 na Itaú Cultural Play

www.itauculturalplay.com.br

  • Publicado: 04/03/2026 14:55
  • Alterado: 04/03/2026 15:00
  • Autor: 04/03/2026
  • Fonte: Itaú Cultural Play