Moinho São Jorge vai a leilão por até R$ 289 milhões
Moinho São Jorge: complexo desativado de 100 mil m² será leiloado pela Justiça a partir de outubro por até R$ 289 milhões
- Publicado: 04/09/2026 18:28
- Alterado: 04/09/2026 18:29
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Um dos maiores e mais icônicos patrimônios industriais do Grande ABC pode estar prestes a ganhar um novo capítulo em sua história. O complexo do antigo Moinho São Jorge, desativado e localizado na Avenida dos Estados, no bairro Santa Terezinha, foi colocado a leilão judicial eletrônico. A venda do imóvel gigante, avaliado em impressionantes R$ 289,8 milhões, ocorre no âmbito de uma execução fiscal que tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de Santo André.
O certame, organizado pela plataforma LEJE, terá duas etapas. A primeira praça está marcada para o dia 8 de outubro, às 14h, pelo valor integral da avaliação. Caso não haja compradores, um segundo leilão ocorrerá no dia 29 de outubro, com o lance inicial reduzido pela metade: R$ 144,9 milhões.
Uma Mini-Cidade Industrial de 100 mil m²
As dimensões do complexo impressionam e explicam o alto valor estipulado pela Justiça. O terreno possui 22.550 m², abrigando uma área construída de mais de 100,6 mil m². A estrutura é formada por quatro matrículas unificadas fisicamente.

Dentro dos muros da antiga indústria de moagem, o futuro comprador encontrará muito mais do que galpões vazios. A propriedade abriga silos de armazenagem, uma padaria industrial, um grande pátio para carga pesada e elementos inusitados para o setor, como um salão de festas luxuoso (conhecido como Palácio de Mármore) e a tradicional Capela de São Jorge, decorada com vitrais e obras de arte incorporadas à arquitetura.
História e Preservação Cultural
Fundado em 1951 pela família Chammas, o Moinho São Jorge foi símbolo da pujança econômica paulista na segunda metade do século XX. A localização estratégica, margeando a ferrovia e a Avenida dos Estados, transformou a empresa em uma das maiores e mais modernas processadoras de trigo da América Latina, distribuindo farinha e derivados alimentícios para todo o país.

Devido à sua relevância, a estrutura não é apenas um ativo imobiliário, mas também um bem de interesse cultural. O Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio de Santo André (COMDEPHAAPASA) já realizou estudos para a preservação de áreas específicas do complexo, como a capela e o salão de mármore. O eventual arrematante precisará conciliar qualquer novo projeto de reocupação ou modernização logística com as diretrizes urbanísticas e de tombamento estabelecidas pela Prefeitura e pelo edital.
Arrecadação e Revitalização Econômica
Para o município de Santo André, o sucesso do leilão tem peso dobrado. Além de garantir a recuperação de parte da vultosa dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) atrelada à execução fiscal movida pela Prefeitura, a venda representa a chance de reativar economicamente uma das principais vias do ABC.
Com o mercado logístico em alta, a expectativa de especialistas imobiliários é que a área, se arrematada, seja transformada em um grande centro de distribuição, condomínio logístico ou complexo multiúso, com potencial para gerar milhares de empregos diretos e indiretos e movimentar a cadeia de fornecedores da região.