Ministério do Esporte e CPB repudiam fala capacitista de secretário de SCS

Declarações de Mauro Roberto Chekin na Câmara Municipal geram reações contundentes do governo federal e indignação na comunidade.

Crédito: Divulgação/ALESP

Uma fala capacitista do secretário municipal de Esporte de São Caetano do Sul, Mauro Roberto Chekin, deflagrou uma crise institucional na região do ABC Paulista. O titular da pasta afirmou não conseguir trabalhar com pessoas com deficiência durante uma audiência pública na Câmara Municipal nesta quarta-feira (29). O Ministério do Esporte e o Comitê Paralímpico Brasileiro repudiaram as declarações rapidamente.

As declarações na Câmara Municipal

Mauro Roberto Chekin
Reprodução/YouTube

A controvérsia começou após um questionamento da vereadora Bruna Biondi. Chekin comentava políticas públicas locais e relatou dificuldades operacionais com o público autista. “Nós temos um problema muito grande com autista e qualquer pessoa com deficiência”, declarou o secretário.

O gestor usou o caso de uma mãe que buscou aulas de natação para a filha como justificativa para a fala capacitista. O uso de fraldas pela criança foi apontado como um obstáculo intransponível pela autoridade pública. A menina também teria demonstrado incômodo com o barulho do ambiente aquático.

O debate ganhou contornos pessoais quando o dirigente relembrou sua época de faculdade. Ele relatou ter abandonado uma atividade na piscina por considerar sua condição psicológica frágil para atuar com esse segmento populacional. “A inclusão é um dever do Estado, mas não é um dever meu, pessoa física”, justificou.

Repúdio nacional à fala sobre inclusão no esporte

A parlamentar rebateu as declarações imediatamente na sessão legislativa. Biondi comparou a atitude a um professor que se recusa a dar aulas para crianças atípicas na rede pública. “É parte da profissão, é parte do dever se aquele funcionário trabalha para o Estado”, criticou a legisladora.

A repercussão negativa chegou a Brasília nas horas seguintes. O governo federal emitiu uma nota oficial classificando as falas capacitistas como profundamente capacitistas e incompatíveis com a dignidade humana. A pasta reafirmou que a inclusão no esporte é um instrumento fundamental de cidadania e desenvolvimento social.

O órgão federal também anunciou uma intervenção educativa no município. Gestores de paradesporto farão contato com a prefeitura paulista para oferecer orientações técnicas. O comitê nacional responsável pelo segmento engrossou as críticas ao apontar desconhecimento sobre o papel transformador das atividades físicas.

O município do ABC Paulista carrega uma forte ligação com o movimento paralímpico nacional. A cidade funcionou como polo de treinamento das seleções brasileiras de atletismo e natação antes da construção do centro de excelência na capital. Tratar o segmento como obstáculo desrespeita diretamente atletas e profissionais locais.

Posicionamento da prefeitura de São Caetano do Sul

A gestão municipal publicou um comunicado defendendo seu compromisso histórico com políticas voltadas às pessoas com deficiência. O texto destacou a inauguração do Complexo Unificado de Inclusão, Desenvolvimento, Apoio e Reabilitação, entregue no dia 25 de abril. O espaço visa ampliar a rede de assistência especializada.

A prefeitura citou as parcerias ativas com instituições assistenciais de referência, como APAE e AACD. E também reconheceu a necessidade de constante evolução na área social diante do peso da fala capacitista. O Executivo pontuou que erros são imperdoáveis, mas os classificou como compreensíveis diante da complexidade da pauta.

  • Publicado: 07/05/2026 12:42
  • Alterado: 07/05/2026 12:42
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABCdoABC