Ministério da Fazenda gera disputa na campanha de Flávio
A vantagem nas pesquisas antecipou uma feroz batalha nos bastidores. Nomes pesados do mercado financeiro dividem as principais alas do bolsonarismo
- Publicado: 11/10/2026 10:11
- Alterado: 11/10/2026 10:25
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Folha Press
A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) rumo ao segundo turno incendiou a corrida pelo Ministério da Fazenda. O cobiçado cargo tornou-se o principal troféu em disputa por familiares, governadores e caciques do partido. O governo Lula iniciou uma dura ofensiva contra a promessa bolsonarista de cortar R$ 200 bilhões de despesas, montante equivalente a 1,5% do PIB. Essa pressão acelerou as articulações internas. A campanha precisa de um nome de peso para ancorar a narrativa fiscal na reta final.
A força de Tarcísio e a mira no Ministério da Fazenda

Tarcísio de Freitas reelegeu-se governador de São Paulo com esmagadores 62,65% dos votos. Ele assumiu imediatamente as rédeas da articulação política. O ex-ministro alinhou legendas de peso como Republicanos, União Brasil, PP e Podemos em torno da candidatura presidencial. Seu foco primário agora é influenciar o comando do Ministério da Fazenda. O nome apoiado pelo governador paulista é Roberto Campos Neto. O ex-presidente do Banco Central desfruta de imenso prestígio na Faria Lima.
Campos Neto e Tarcísio cultivam uma relação estreita desde os anos de convivência em Brasília. O atual chefe global de políticas públicas do Nubank, contudo, hesita publicamente. Amigos próximos afirmam que seu foco permanece na expansão internacional da instituição financeira rumo aos Estados Unidos.
A cartada de Eduardo Bolsonaro contra o mercado

A ala mais conservadora não entregará o Ministério da Fazenda sem lutar. Eduardo Bolsonaro avaliza fortemente o nome de Marcelo Kayath. O ex-executivo do Credit Suisse e sócio da QMS Capital atuou como ponte vital entre o núcleo político e os grandes banqueiros do país. Ele prega um choque fiscal agressivo para estabilizar as contas e derrubar a taxa de juros.
A indicação de Kayath sofre intenso bombardeio nos bastidores da própria direita. Apoiadores mais radicais não perdoam seu histórico recente.
O ex-banqueiro já apoiou publicamente o presidente Lula e disparou críticas severas contra a gestão de Paulo Guedes no antigo Ministério da Economia.
Essa bagagem transforma o financiador em um alvo fácil do fogo-amigo. A cúpula ideológica exige pureza política. A batalha interna pelo Ministério da Fazenda testa a real influência de Eduardo frente ao pragmatismo dos governadores eleitos.
O núcleo oficial e os azarões do Ministério da Fazenda

Daniella Marques centraliza as propostas formais da campanha. A porta-voz econômica deixou sua posição na Legends Capital exclusivamente para coordenar o plano de governo. Ela construiu enorme capilaridade nas redes sociais, atraindo admiradores e opositores internos. Sua preferência tática para o Ministério da Fazenda atende pelo nome de Alexandre Bettamio, alto executivo do Bank of America. Marques rechaça o clima de conspiração.
Todo nosso tempo e esforço é dedicado a eventos diários da campanha e ao combate da rede de fake news. Não aceito que usem minhas relações pessoais para especular sobre articulações inexistentes.
Outro nome circulando nas rodadas de negociação é Adolfo Sachsida. O coordenador do núcleo econômico transita livremente entre Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. Especialistas avaliam que ele possui maiores chances de assumir pastas como Planejamento ou Infraestrutura.
A lista definitiva de candidatos à economia

A coordenação política guarda opções estratégicas. A definição do Ministério da Fazenda dependerá ativamente dos acordos firmados no Senado Federal. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) atua como peça-chave na diplomacia, mira o Itamaraty e defende abertamente o nome de Campos Neto.
Confira o panorama dos executivos e políticos cotados:
- Roberto Campos Neto: Ex-presidente do Banco Central. Conta com respaldo total do governador Tarcísio de Freitas.
- Marcelo Kayath: Sócio da QMS Capital. Apadrinhado por Eduardo Bolsonaro, enfrenta forte resistência ideológica.
- Alexandre Bettamio: Executivo do Bank of America. É o favorito absoluto da coordenadora Daniella Marques.
- Adolfo Sachsida: Ex-ministro de Minas e Energia. Corre pelas beiradas com o aval de Carlos Bolsonaro.
- Rogério Marinho: Senador pelo PL-RN. Surge no radar como a grande surpresa política para pacificar o Congresso.
- Mansueto Almeida: Economista-chefe do BTG Pactual. Rejeitou convites recentes para retornar à vida pública.
A palavra final sobre o titular do Ministério da Fazenda caberá exclusivamente a Jair Bolsonaro. O ex-presidente calibrará sua decisão com base nos trackings diários e no tamanho da base aliada projetada para o Congresso.