Novas regras do Minha Casa, Minha Vida aquecem o mercado imobiliário
Reajuste de 13% no custo da construção impulsiona atualização do Minha Casa, Minha Vida, que prevê orçamento recorde de R$ 207 bilhões para 2026
- Publicado: 22/04/2026 18:25
- Alterado: 22/04/2026 18:25
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Grupo Planeta
Ajustes recentes nas diretrizes do Minha Casa, Minha Vida prometem reconfigurar o mercado imobiliário brasileiro já a partir de 2026. A elevação dos tetos de valor dos imóveis e a atualização das faixas de renda ampliam o alcance do crédito subsidiado e fortalecem a demanda em regiões em expansão, com destaque para o interior de São Paulo
Minha Casa, Minha Vida: novas faixas e limites de financiamento

O reajuste realizado em março teve como objetivo corrigir a defasagem provocada pela variação acumulada de 13% no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Com isso, as faixas de renda foram ampliadas. A Faixa 1 passou a contemplar famílias com renda de até R$ 3.200, enquanto a Faixa 3 agora alcança até R$ 9.600. Já a Faixa 4, consolidada em 2025, permite o financiamento para rendas de até R$ 13 mil, ampliando o acesso da classe média ao crédito habitacional.
Os limites de valores dos imóveis também foram reajustados. Na Faixa 3, o teto chegou a R$ 400 mil. Na modalidade voltada à classe média, o valor máximo subiu para R$ 600 mil. A atualização busca preservar a viabilidade dos empreendimentos diante do aumento dos custos da construção civil.
Impacto no interior paulista e em Sorocaba
O avanço da Minha Casa, Minha Vida em cidades do interior paulista tem impulsionado o setor imobiliário em polos industriais e de serviços, como Sorocaba. A ampliação do número de famílias elegíveis ao financiamento movimenta toda a cadeia produtiva regional, desde construtoras até fornecedores de materiais.
Segundo especialistas do mercado, o perfil do comprador também mudou. O interesse deixou de ser apenas o subsídio e passou a incluir critérios como localização, infraestrutura e áreas de lazer. Em Sorocaba, essa tendência já se reflete no desempenho de vendas de novos empreendimentos.
O Grupo Planeta, por meio do diretor comercial Caio Fernandes, observa que o consumidor está mais exigente e busca projetos mais completos. O braço econômico da empresa, a marca Access, projeta novos lançamentos para o primeiro semestre de 2026, após registrar vendas integralmente comercializadas ainda na fase de construção em projetos recentes.
Perspectivas para 2026
O setor imobiliário trabalha com um cenário de otimismo sustentado por indicadores robustos. Em 2025, o programa habitacional registrou 680 mil unidades contratadas em todo o país, com execução de R$ 137,4 bilhões do FGTS.
Para 2026, a projeção orçamentária é ainda mais ambiciosa, alcançando cerca de R$ 207 bilhões. Com mais recursos disponíveis e regras mais flexíveis, construtoras enfrentam o desafio de equilibrar custos e qualidade, transformando o padrão tradicional de moradias econômicas em empreendimentos com maior infraestrutura de lazer, segurança e bem-estar.